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sábado, setembro 24, 2016

Futebol Amador

GUARANI DO LAJEADO PESSEGUEIRO COMEMORA 55 ANOS  DE FUTEBOL

Por Fernando Kronbauer

A localidade de Pessegueiro: situada na antiga estrada que ligava a então Colônia 14 de Julho com o resto do Estado, por volta de 1910, ali se instalaram as primeiras famílias, como: Moura, Maciel, Leal e Zorzan. A Colônia de Pessegueiro, se estabeleceu durante a construção da estrada para Boca da Picada (Giruá). Com a divisão dos lotes, chegaram as famílias Schumacher, Khun, Rauber, Loeblein, Schnorr, Sost, Ritt, Cerutti, Knack, Weber, Schneider e Baungartner. Com os imigrantes veio o comercio e a indústria, tornando Pessegueiro economicamente forte e próspero. Com a construção da ERS 344, ligando Santa Rosa- e Giruá, a estrada que ora era transitável, se tornou ligação secundária. Com o êxodo rural e a imigração de famílias para outras regiões e estados, o comercio que ali havia estabelecido, com ferraria, serraria, alfaiataria, moinho e ervateira, foram cessando suas atividades.
A  Comunidade Católica Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está comemorando 89 anos de fundação e comemora esta data com os festejos juntamente com o aniversário do Guarani.
Atualmente a agricultura diversificada é a fonte de geração de renda das famílias, como o cultivo da soja, do trigo, do milho e da produção leiteira. Mesmo assim, continua sendo uma comunidade unida em torno de seus ideais, forte e organizada e com grandes lideranças.


O Guarani: com o objetivo de praticar o futebol, como forma de lazer e competição, um grupo de jovens agricultores, liderados pelo Professor Roberto Lúcio Schneider, em 03 de setembro de 1961, fundaram o Esporte Clube Guarani do Lajeado Pessegueiro – Santa Rosa. Mas, antes disso, já em 1957, surgiram os primeiros chutes na bola, quando aos domingos a tarde os jovens se reunião nos gramados dos potreiros e praticavam este esporte. O primeiro nome atribuído pelo professor foi Flor de Pessegueiro. Logo depois, numa inscrição de torneiro, quando perguntaram o nome do time, Ari Richter gritou Guarani, e assim ficou até hoje fazendo história no futebol regional. O primeiro presidente foi o Senhor Miron Ivoni Knap
Dentre os mais importantes títulos, o Guarani conquistou os seguintes títulos: Tricampeão do Municipal de 1974, 1975 e 2015, categoria de Titulares. Campeão Municipal de Aspirantes 2014. Campeão invicto, em 1992, da Associação de Clubes de Cruzeiro e Santa Rosa. Em 2010, Campeão Municipal da Categoria Veteranos. Em 2011 Campeão Futebol de Areia do Verão Mágico.


Filhos de Pessegueiro: no dia 25 de setembro, na comunidade de Lajeado Pessegueiro será realizado 1º Encontro Filhos de Pessegueiro, evento que vai homenagear os 55 anos do E.C. Guarani e os 89 anos da comunidade de Lajeado Pessegueiro. Durante o dia serão homenageados os atletas do Guarani campeões em 2014 e 2015, bem como, os primeiros moradores da localidade. Confira a programação: 9hrs – Missa. 12hrs – almoço. 14hrs – reunião Dançante. Maiores informações pelo fone (55) 9923-4800.

quarta-feira, janeiro 13, 2016

Artigo


Por: Ezequiel Redin(*)




Nas últimas duas décadas, o processo de modernização rural tem se expandido e consolidado, o núcleo familiar tem reduzido e o futebol de campo no rural suprimido. Boas lembranças dos consolidados times de futebol amadores formados nas localidades rurais. Equipes expressivas cunhavam o nome da localidade rural, marca estampada na camiseta de sua equipe de futebol. Gloriosos tempos em que jogadores da comunidade elaboravam jogados de alto nível técnico, armavam estratégias táticas para desarmar o adversário, faziam belas pinturas de gol nos campos rurais. Épocas em que um chute torto na bola poderia lançá-la para o famoso “mato”.  gíria: “bola pro mato que o jogo é de campeonato”, quiçá, deve ter origem dos campos de futebol no rural. Equipe A e Equipe B jogavam amistosos, torneios, campeonatos municipais, disputavam taças em jogos de alto nível técnico e também de alto vigor físico. A força do futebol rural culminou a tal ponto que o seu auge foram os Campeonatos Municipais de Futebol de Campo (Varzeanos), anteriormente disputados apenas na cidade, no decorrer da década de 90 foram distribuídos nos campos das localidades rurais, de suas respectivas equipes participantes. Fator que endossou a socialização no rural, fortaleceu a rede de relações interpessoais, dinamizou as sociedades e organizou verdadeiros tours esportivos entre as comunidades. O domingo era dia abençoado. Dia de ir à igreja pela manhã e dia de ir para o jogo de futebol pela tarde – duas missões sagradas. Os campos eram rodeados de torcedores que chegavam nas mais diversas formas: a pé, a cavalo, de bicicleta, de carro ou de caminhão. Geralmente, o time adversário e sua torcida deslocavam-se em caminhões lotados, os mesmos que transportavam soja. No local do jogo existia um galpão (estilo cabana), ponto de comercialização das bebidas (cerveja, refrigerantes e cachaças), das guloseimas (chicletes, balas, pipocas, merendinhas), dos lanches (cachorro-quente e pastel) e outras delicias de final de semana para o público presente. A torcida se acomodava atrás das goleiras, nas laterais do campo e, em geral, embaixo de árvores ou coqueiros em busca de alguma sombra para suportar a tarde calorosa. Homens, mulheres, jovens e crianças, a família toda reunida para uma partida de futebol no rural. A bola rolava. Primeiro, no alto sol da tarde, jogava a equipe B, teoricamente menos habilidosa e, posteriormente, a equipe A, teoricamente com atletas mais habilidosos. Os jogos eram acirrados, nervos a flor da pele e provocações constantes tanto entre os atletas quanto entre as torcidas. Torcedores ferrenhos, aqueles mais convictos na vitória de seu time. Nem tudo eram flores, existiam brigas entre jogadores ou entre torcidas. Ás vezes, tijolos ou garrafas voavam alto demais. Excetuando essas externalidades, o futebol de campo, sem dúvida, dinamizava o meio rural. 


Foto oficial do E.C Paleta em jogo amistoso (1974)  

Aliás, no campo de futebol também afloravam um campo de poder entre as famílias e entre as localidades rurais, isso é inegável. A rivalidade do campo é ludicamente representada também pelo contexto local. Em outras palavras, a rivalidade entre os moradores de distintas localidades rurais se traduzia num espetáculo, em uma disputa de quem tem a maior força econômica, quem tem a melhor escola, a melhor bodega, a melhor igreja, o melhor salão, o melhor campo, a melhor posição social e, claro, quem tem a melhor equipe de futebol de campo no rural. Aí emergem, portanto, relações de jocosidade (zombarias ou brincadeiras) entre jogadores e entre torcidas que vicejam o espetáculo. A galeria de troféus, medalhas e o quadro de fotos do time ficam expostos no salão da comunidade, símbolo de orgulho e também de distinção social. Aliás, a galeria é a única que permanece viva para atos memoráveis, aqueles que clamam por causos pitorescos da conquista futebolística no passado. Aos poucos a cultura futebolística de campo no meio rural tem se esvaído. As famílias rurais reduziram o número de filhos – antigamente, entre cinco a oito para dois a três nos dias de hoje. Consequentemente, menos jovens habitam o rural. Não é possível mais formar dois times de futebol de campo numa mesma localidade, mas é claro, há exceções. Os campos de futebol viraram potreiros, os potreiros se transformaram em legítimas lavouras de soja. Nas localidades rurais em que existem ginásios esportivos, os jovens rurais mantêm os times de futsal, pois não precisam mais de 22 atletas, mas apenas 10 para rolar o futsal no rural. Do futebol ao futsal, do campo para as quadras, das famílias grandes para as famílias diminutas, do maior para o menor. Futebol de campo, hoje, só rola novamente na cidade, numa mescla de jogadores rurais de distintas localidades, estratégia para tornar o time competitivo. O rural perdeu este espetáculo para o urbano. A única que expande fronteiras, abocanha os campos de futebol, invade os potreiros e até as estradas no rural é a leguminosa, ou seja, a soja. Estamos presenciando um processo de sojificação do rural, uma verdadeira sojificação dos campos de futebol. A mesma que destruiu as taipas é aquela que está acabando com os espaços de sociabilização no rural. São tempos imemoriais que ficam no passado. Daquele passado do Preto e Branco (P&B) para o presente do colorido. O verde dos campos de futebol para o verde da soja. Realmente, os tempos são outros! 

Para baixar esse texto em formato PDF clique aqui! 
Ezequiel Redin, reside no municipio de Arroio do Tigre/RS. É Doutorando em Extensão Rural (PPGExR/UFSM).
Este texto foi publicado no dia 18 de agosto de 2014 (Segunda-feira) no blog http://ezequielredin.blogspot.com.br.
Texto posteriormente publicado dia 25 de Dezembro de 2014 no Jornal Gazeta da Serra. Para visualizá-lo direcione-se à página 20/60, clicando aqui.

N.R. Em 29 de setembro 2012,  a editoria deste blog publicou um artigo sobre o assunto, mas com destaque para o futebol do interior de Santa Rosa, com o título: FUTEBOL, EDUCAÇÃO E ÊXODO RURAL. Vale a pena ler.