sábado, 15 de outubro de 2011

FATOS & FOTOS ANTIGAS XI

PARTE XI

1 – PREMIO ESSO DE REPORTAGEM CARLOS KOLECZA



CARLOS KOLECZA, jornalista com destacada atuação na imprensa do Rio Grande do Sul, Premio Esso de Reportagem, humilde como ele, na sua juventude enganava como goleiro no campo da Tuna, na saída velha para Santo Cristo, campinho berço do Sepé Tiarajú.

As traves laterais eram demarcadas por chinelo, gorro, camisa ou o que fizesse às vezes de tal.

Tinha a intenção de tornar-se um ídolo na posição. Torcedor fanático do Flamengo, quando fazia suas defesas, para ele, memoráveis, gritava :

– Agarraaaaaaa Chamooooooorro!!! ou

– Agarraaaaaa Garciaaaaaaaa!!! – que eram os guarda-metas do Mengão, ambos paraguaios.


2 – CELESTE DOS REIS


Logo após a fundação do Juventus, veio trabalhar em Santa Rosa, como gerente do Banco Agrícola Mercantil.

Á convite seu, penso, também chegou Giovani Paternostro, para desempenhar as funções de Tesoureiro.

Orgulhava-se Reis, de ter sido sua cidade, Novo Hamburgo, a terra que lançara Sérgio Moacir Torres Nunes, que, vindo do Floriano, começava a se destacar como goleiro do Grêmio.

Afeiçoaram-se, os dois, pelo Juventus e dali foi um pulo. Admitiram jogadores como Jambalaia, Brasílio, Arante, Diomarte, Bircke e outros para trabalharem no Banco e jogarem no Juventus.

Desempenhou, no clube, as funções de treinador e entendia do assunto, caso raro na época.


3 – JUVENTUS – TORCIDA FEMININA



CHEFE – Ascânio Oscar Buys Pinto

Integrantes: dentre outras,

Claudete, Águeda e Negra Araujo.

Evinha, Lisete, Neiva Hofmann,

Maria Carmen Acioli e Laís Albrecht


4 – JUVENTUS – HINO DA TORCIDA FEMININA


Verde e rubro pendão tão bonito

Te saúdam os teus torcedores

As mulheres te cobrem de flores

E a tua torcida é um só grito...

Juventus meu time querido

Juventus tuas cores seduzem

E o nosso grito de guerra

É Deus no céu

E o Juventus na terra.

(baseado no Hino do Roque de São Luiz Gonzaga)


5 – GURIZADA NA ZONA

Como se sabe na época de 50, a gurizada atravessava a cidade, para treinar no campo do Pessegueiro.

No trajeto passava-se na frente de um cabaré.

O piazedo ia se espiando, espreitando, aguçando seu sentido de curiosidade.

As “moças” não se lhes apareciam, a não ser uma que outra, desavisada à janela.

Nada se descobria; a ilusão desaparecia e esperava-se uma próxima oportunidade, num novo treino.

Já como adultos foram sabedores que, a não exposição delas era determinada pela dona Garzona, a pedido dos respectivos pais dos garotos para que não se atirassem cedo nas garras da luxúria.


6 – NENÊ CANHA


Atuou por aqui, Santo Ângelo, e Três de Maio, um bom meia cancha, que tinha, por motivos óbvios, o apelido de Nenê Canha.

Na capital missioneira, jogara com LAMBARI, no Tamoio.

Saindo da terra, LAMBARI jogou em Rio Grande, de onde se transferiu ao Internacional.

No colorado, foi autor do primeiro gol do Internacional contra o Corinthians, em São Paulo, sendo, por isso, a chuteira que usara para tal, selecionada como um troféu e lá está para quem quiser ver no Museu do clube.

Estando em Porto Alegre Nenê Canha foi aos Eucaliptos, ver se arranjava uma grana com seu ex-colega.

Encontrei-o nas cercanias do Estádio, deitado ao chão, já em estado etílico.

Reconheceu-me e depois de pedir algo, destratou ao Lambari, dizendo: esse fdp negou-se a me socorrer não reconhecendo que, graças a mim, aprendeu a jogar bola!


7 – PELAS PLATIBANDAS

Colaboração PHF

O Dr. Monte Alvar – legenda do Paladino F. C. – decidiu, por indicação de Vado, um atacante do Clube, contratar Arthur da Silva Ribas, popular Caieira, ex-jogador do Nacional de Cruz Alta, para treinar o “colorado santa-rosense”. Caieira, que logo se popularizou em Santa Rosa, exercia liderança eficiente ante os “boleiros” do Clube e granjeou logo a simpatia da torcida.

Na sua estréia, fez um “h”:

– Não tenho nada a esconder, os amigos da imprensa estão convidados para assistir a minha “preleição, antes da partida”.

Lá foram Paulo Araújo, Pedro Comaru, Geová Müller, Francisco Delmar... E eu.

Caieira, sem cerimônia, distribuiu as camisetas e falou, alto e bom som:

– É aquilo que já eu expliquei nos treinos: vamos sentar os baques e arrecuar os alfes; fechado para não levar – quem abre, toma. Quando tivermos a bola, vamos atacar pelas platibandas e cruzar para o mosquedo - no entrevero é que morre gente. Em úrtima análise: cada um agarrra seu homem e bola pra frente. Seja o que Deus quiser!

– Seu Arthur – indagou Mido, que também é cruz-altense – se chover, seu Arthur, é o mesmo jogo:

– Aí, vamos fazer como em Cruz Alta.

Comaru, atento, esclarecendo:

– Caieira, para bem informar aos ouvintes da rádio: como o Sr. fazia em Cruz Alta, quando chovia?

– Nada, deixava chover e jogava o mesmo futebol... Boa sorte pra todos, moçada!


8 – SEM NÓIS, ELES NÃO JOGA!

Colaboração PHF

O Internacional, de Porto Alegre, à época campeão estadual, foi cumprir uma apresentação amistosa, em Santa Rosa, em comemoração ao aniversário do Paladino. Era eu, então, cônsul do S. C. Internacional, no município. Empenhei-me em ajustar condições razoáveis para que o Paladino pudesse promover o amistoso e lucrar alguns. Antes do jogo, houve um ligeiro tumulto frente ao Estádio (estudantes, que reivindicavam a meia entrada, impediam os torcedores de entrarem no estádio), que o Dr. juiz de direito e uns policiais resolveram, garantindo o direito dos estudantes. O Dr. Gildo Russowski, que chefiava a delegação do Inter, apelou-me para que a partida não atrasasse, pois o avião só poderia decolar, de retorno a P. Alegre, até às 18;25 horas. Fui, com Zeferino Soares (“quem não é do Paladino, é contra o Paladino”) ao vestiário (ou vestuário, como dizia Caieira) e instei o treinador a botar o time em campo, onde já batia bola o Inter.

Caieira, tranquilamente, respondeu-me:

– Calma, doutor, sem nóis eles não joga.

Depois dos primeiros 45 minutos, Caieira, no vestiário, reclamou:

– Vocês não tão chutando a gol; sem chutar, ninguém vaza.

– Ah, seu Arthur, o Sr. esqueceu que Gainete é goleiro menos vazado do Brasil?

– Não cheje bobo! É só chegar de cima e chutar forte, rasteiro, no canto, vamos ver se ele pega!!??


9 – SEM SOTAQUE



Caieira, ao telefone:

– Alô, é o Dr. Monte?

– Alô, aqui é Monte Alvar; fala Caieira.

– Dr., ta tudo bem, o pessoal tá concentrado, tudo bem mesmo.

– Sim e aí?

– Mas tem um poblema, doutor...

– Problema? Que problema? Então, não está tudo bem.

– Coisa pouca, doutor; a tevê que o Waldemar Zenni trouxe para a concentração não está bem.

– É? Qual é o problema?

– O aparelho tem semblante, mas não tem sotaque.

Waldemar Zenni, depois, explicou que os atletas não “eram mansos” de comando do volume de som.


10 – COM “INGNORANTE”, NÃO DÁ!

Colaboração PHF

Véspera de clássico, Caieira, olha atento, para um quadro negro, na parede externa do Café Central e reclama:

- Maraschin, deveria escrever o que eu falei, mas não adianta, eu digo uma coisa e ele escreve outra.

– Qual é o problema Caieira? O escrito está muito claro: “Atenção, treino do Paladino, apronto, 16 horas.”

– Pois é, eu falei que o treino tava marcado para as 4 horas da tarde... Ele mudou tudo, depois os atletas, não todos, mas alguns menos ingnorantes não vão saber a hora certa e fartarão ao treino, ou chegarão atrasados... Isso não é bom para a disciprina.

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