sábado, 25 de agosto de 2012

Memórias do nosso futebol

PALADINO 3 X 1 JUVENTUS 
(História do jogo realizado a 59 anos. Colaboração: João Jayme Araujo
 
Data: 27 de setembro de 1953
Local: Estádio Baixada do Pessegueiro – Santa Rosa/RS

                                                                                                    
A  equipe do Paladino FC que disputou o jogo
 

A equipe do Juventus AC que disputou o jogo

(Ao fundo, a direita, o time do Paladino entrando em campo.)

Leia o que diz o Jornal A SERRA sobre o jogo no final de semana seguinte: 
 Clique na foto para ampliar.



Graças à colaboração de Elton Zielke e de Joca, filho de meu querido amigo LUIZ CAPPELLARI, assim como o foram todos os seus irmãos, resgata-se por fotos e noticias de A SERRA, um dos clássicos mais esperados no futebol de nossa terra.
Paladino e Juventus eram os expoentes do futebol em Santa Rosa.
O clássico de 1953 decidiria, possivelmente, o campeonato.
Como atrativo extra, a disputa da condição de artilheiro do ano, entre Charles e Jayme, que estavam empatados. Com dois marcados nesse jogo Charles conseguiu o galardão.
O Juventus era comandado pelo técnico Barcellos, que viera de Porto Alegre, trabalhar na construção civil e com eles dois atletas que logo se incorporaram aos periquitos, CARECA E TELMO.
CARECA um centro médio com as características dos center-halfs, de então.
Daqueles que tendo a bola sob seu domínio, normalmente, de cabeça erguida, lançavam em ótimas condições seus atacantes, para que esses desempenhassem a respectiva missão.
TELMO, um ponta-esquerda arisco que buscava e encontrava a linha de fundo. Um dos trunfos do Juventus, mas, nessa partida, por contusão, não pode atuar o que se constituiu num sério desfalque.
Examinando-se hoje as fotos da pugna, chega-se à conclusão que o PALADINO tinha melhor time.
Sobressaiam DÉCIO e NIQUE irmãos, zagueiros comprados depois, por uma geladeira a cada, pelo Aliança.
Os irmãos Charles e Nolly,, este, como se diz, sabia e Charles um ponteiro-direito, depois centroavante. Velocista e dono de um chute potente. Tinha o faro do gol.
Como goleiro, Júlio, discreto, mas efetivo.
Nino, zagueiro que tinha passagem por bons clubes de centros maiores.
Ernani, tosco, mas, se impunha em sua área.
Napoleão, bom lateral, marcador implacável.
Lauro Fenner, que atuara antes, com destaque no próprio Juventus e no Tuiuti de Santo Ângelo e Paulo Terra, um porto alegrense colored, como se dizia, antes do politicamente correto, dono de uma visão de jogo destacada, bom jogador, melhor caráter.
No Juventus eram destaques, Careca, Antonio, Jayme, Décinho, este o cérebro do time, dos maiores jogadores da região e Luiz Cappellari, bom jogador, mas, genioso.
Pela comparação, vê-se a superioridade do vencedor. 



Equipe do Juventus entrando no Estádio: na frente Jayme. Fila da esquerda, Hectore, Carlinhos, Careca e Luiz Cappellari. Na direita: Adão, Antonio e Decinho. De chapéu, no lado, Telmo ponteiro esquerdo que, por contusão, não atuou. 

A TORCIDA FEMININA 

Foram destaque nessa partida, as torcidas femininas. Admiradoras do Juventus, tendo Ascânio Pinto como chefe da torcida e Claudete Araujo à frente, resolveram marcar presença, devidamente uniformizadas.
O vestido era de cor verde, com golas e punhos vermelhos e completando o visual um chapéu de palha enorme.
Para saudar sua equipe, percorreram o comércio em busca de auxilio, destinado a compra foguetes, com os quais receberam os atletas na entrada em campo.
Nas fotos abaixo das torcedoras, vêem-se três incidências, como: entrada em campo, entrega de uma "corbeille" para o capitão da equipe, Careca e este acompanhando Águeda e Claudete Araujo, quando estas deixavam o campo. 



Ascânio Pinto, chefe da torcida do Juventus. Aparecem, dentre outras, Claudete, Águeda e Negra Araujo, Evinha, Lisete Koch,Neiva Hoffmann, Maria do Carmo Acioli e Laís Albrecht.



Careca, capitão da equipe do Juventus  recebendo uma corbelia de flores. Vê-se, entre os chapéus, os atletas Adroaldo Liberalli e Paulo Pinto que não apareceram n a foto da entrada no Estádio.



Capitão do Juventus Careca, acompanha Águeda e Claudete Araujo, quando elas se retiravam do campo em direção ao Pavilhão.



Torcida feminina do Paladino: Janete Berta, Liége e Dione Zenni; Vera Maria, Stella,Maria de Lourdes Cardoso, Miriam e Eda Zenni; Lilian (de mãos erguidas) e Luze Koch, Ruth Matter, Ila Andrade...".
Como em cidade do interior é difícil guardar-se segredo, as torcedoras do Paladino descobriram o movimento das adversárias e também se fizeram presente uniformizadas.
A história contada por VERA CARDOSO WIENANDTS: " Eu, era menina de tranças, ainda. As mais velhas conseguiram motivar a turma então apaixonada pelo Paladino, determinando que todas usariam roupa branca e vermelha de
preferência a saia branca e blusa vermelha. Quem não tivesse colocaria alguma roupa onde se destacassem essas cores.
Outra coisa, lembro bem, confeccionamos bandeiras de tiras vermelhas e brancas de papel crepon, presas numa madeirinha por percevejo.
As menores, as amigas minhas,Dione,Liége, fomos arrecadar as hastes dessas lá no Scalco Móveis que cortaram exatamente como pedimos.
Todo mundo se juntou pelas casas para confeccionar as ditas bandeirinhas.
Entramos pela lateral do campo em direção às arquibancadas. Agitávamos as bandeirolas gritando frases e palavras de efeito visando um bom desempenho de nosso time. Vitória do nosso time.
O Paladino estava no auge e nós meninas que frequentávamos o estádio do Pessegueirinho junto com as manas maiores, claro, resolvemos apoiar o time com uma grande torcida feminina. E, assim foi, num determinado domingo para espanto de todos, adentramos pelas laterais do gramado. onde havia o campo e onde o Paladino enfrentaria (Juventus) vestidas "para matar" de branco e vermelho. A saia rodada(da época, com armação) era branca e a blusa vermelha ou vice versa como havíamos combinado em reunião da turma.
.Ah, aquilo deu uma vida na torcida que não parava de gritar palavras de incentivo, de força aos jogadores que também havíamos combinado.
Uma começava e as outras iam fazendo um coro, espetacular, o povo aplaudia e co-participava.
Foi inédita esta atividade com relação a um time de futebol, enfim, mais ou menos 30 meninas, adolescentes e as mais maduras.
O máximo, numa época em que o futebol era uma grande atração, um bom programa de domingo à tarde, nas pequenas cidades e os jogadores nativos do local, todos conhecidos e alguns namorados.
Espero que gostem do que contei, pois, para mim estasatividades,foram inesquecíveis.(Vera Cardoso Wienandts) 

sábado, 18 de agosto de 2012

Histórias do Futsal


RIVALIDADE... ÀS VEZES ATÉ DEMAIS!

Transcorria a primeira metade dos anos 80. O futsal ( na época futebol de salão, com suas regras próprias) em Santa Rosa e na região estava em alta. O Juventus, com extraordinário plantel, formado por atletas locais que representava muito bem nossa cidade. Todos, trabalhadores, estudantes, que convocados, praticavam um futebol coletivo, requintado, que encantava o torcedor que lotava as arquibancadas do ginásio municipal. Vale lembrar: Renato, no gol; Babá ala direita, Chico Faco(Zoelher) como fixo e na ala esquerda, ora Chico Tim com seu canhotaco,  e ora Alfredo Moroni com sua técnica apurada; na frente o  extraordinário Adonis, que com seus dribles encantava a todos; ainda tinha Luisinho Giordani(no gol), Kika, César, entre outros... e como técnico, o competente Edgar Massotti.
No que podia, acompanhava os jogos em casa. Relato um episódio que aconteceu aqui e em Horizontina. Lá se destacava um time formado por também pratas da casa, que carregava o nome de Os Insetos. Ambos integravam a mesma chave, pelo campeonato estadual daquele ano. O primeiro duelo aconteceu aqui. O nosso ginásio lotado, com torcedores dos dois lados, a maioria nossos. O juventinho, como era chamado carinhosamente, não jogava mal, mas esbarrava num ferrolho suíço, intransponível, armado pelo técnico adversário, pois, sabia da capacidade do nosso time. Num contra ataque, o frente deles, lembro até o nome,  Vicente, abre o placar, quase no final do jogo e o Juventus não consegue reação e a contenda termina com muitas provocações. Era clássico, e vencer o Juventus aqui, era uma façanha e tanto.
Poucos dias depois, num sábado à noite, foi o jogo na casa dos Insetos, no ginásio Edio Sthol, em Horizontina.  Vários ônibus lotados de torcedores juventinos se deslocaram para lá.  Foi organizado um forte policiamento nas cercanias e dentro do local do jogo, pois, o mesmo prometia. Os torcedores daqui, em bloco, protegidos pela policia, ficaram isolados na arquibancada, sem contato com o restante dos torcedores. Recém iniciado o jogo e os Insetos parte em massa e abre o placar. O ginásio, quase veio abaixo. Histeria total. Aos poucos, nossos meninos foram  acertando na quadra e tomaram conta do jogo. Já no primeiro tempo  encerrava com uma grande virada. Nós estávamos em êxtase. Na casa deles, lotada, e vencendo. Era o máximo. Mal podíamos esperar o que poderia acontecer. Nossos atletas, empurrados pela nossa torcida, continuaram fazendo gols. Não  lembro bem, mas acredito que já estávamos no sexto gol. O tumulto começou. O policiamento estava com dificuldade de conter os irados insetívoros pelo revés determinado por nossos garotos. Antes de terminar o jogo, faltando alguns minutos, o policiamento recolheu nossos torcedores e encaminharam sob sua proteção aos ônibus. Rumamos em comboio, também sob proteção policial em direção a Três de Maio. Nossa surpresa, quando já alguns quilômetros percorridos, de um barranco da estrada, na passagem dos ônibus, pedras espocaram sobre o teto dos coletivos. Prontamente a policia interveio, mas não surpreendeu ninguém. Nas proximidades de Três de Maio, o comboio foi liberado. Já era madrugada quando adentramos  na cidade, pelo Bairro Cruzeiro. Salvos? Ainda não! Numa mistura de alegria e apreensão, discorríamos sobre o jogo e os acontecimentos da noite, quando de repente, não sei como, no transcurso da Avenida Expedicionário Weber, houve um abalroamento entre os ônibus e mais alguns veículos do comboio. Foi tudo muito de repente. Houve alguns feridos, mas pouca coisa. Lembro que, quando do choque bati meu pescoço na guarda do banco a minha frente. Sem gravidade. Ficamos por um bom tempo parado. Fomos alcançados pela delegação dos atletas. Como a liberação dos veículos estava demorada, partimos, com mais dois amigos, a pé, pois, já era madrugada, quase de manha, até a Praça Independência, ponto de partida da excursão e onde estava estacionado nosso veículo. Foi uma noite inesquecível, de alegria e muita apreensão, mas que valeu pela experiência e dela tomar as lições. Foi o único jogo do Juventus que assisti jogando na casa do adversário. Foi uma experiência e tanto. Mas valeu...

Adônis - atleta do Juventus que fez história no futsal gaúcho
(Foto Jornal Noroeste)

sábado, 11 de agosto de 2012

Histórias do Futsal

JUVENTUS ATLÉTICO CLUBE - FUTSAL 
                        
                                                                                                        João Jayme Araujo
­                                                                                        jjgaucho23@hotmail.com    
                                                                                                                   
Como interessado e curioso pela vida esportiva de nossa terra, iniciei, por diletantismo, escrever historinhas para o Blog do Juventus graças ao acolhimento do Prof. Atanagildo Rorato.
Por sugestão dele por mim acolhida, com satisfação, tive a felicidade de colocar no livro – BAÚ DE RFELIQUIAS – fatos, a maioria, jocosos, ligados ao futebol da década de 50.
Aventurei-me depois a colher subsídios para retratar a historia de outro esporte o FUTEBOL DE SALÃO desse mesmo período contando acontecimentos ligados a ATLAS, MONTESE, ALVORADA, BRASIL, REAL, PAMEIRAS, TIJUCA e SANTOS.
Pensei que a fonte houvesse secado. Apareceram outras, e a mais importante, JONALDO, que atuou com destaque, na seleção de Santa Rosa que com o nome de JUVENTUS que muito engrandeceu o município projetando-o com destaque nessa modalidade esportiva.
O período abrangido é com primordialmente, do ano de 1979, mas há os primórdios ocorridos em 1966. A matéria está retratada nos jornais da época de nossa cidade dos quais nos servimos. 
ANO DE 1979 - SELEÇÃO SALONISTA/JUVENTUS PREPARA-SE PARA O ESTADUAL
A seleção de futebol de salão que representará a cidade no Estadual jogou contra a seleção de Cruz Alta quando foi derrotada por 2 x 1.
O jogo foi disputado no Ginásio Municipal de Esportes que acolheu um  bom público e este pode apreciar os atletas que nos representarão.
Na equipe do Juventus Atlético Clube jogaram Alfredo, Claudio, Jonaldo, Lamar, Luizinho, Telmo, Kika, Sérgio e Talvani.
O time local, como não poderia deixar de acontecer numa equipe em formação, apresentou defeitos.



JUVENTUS DÁ GOLEADA 

A seleção de Santa Rosa que está disputando com o nome de Juventus, conseguiu diante do Jabaculê a maior goleada ocorrida até agora no Campeonato: 7 x 0.
A partida em sua primeira parte foi muito truncada, pois o time de Tucunduva  procurou mais se defender enquanto que o Juventus apesar de agressivo também esteve muito cauteloso tendo conseguido ao final dos primeiros vinte minutos a vantagem pelo escore mínimo num gol marcado em cobrança de falta por Jonaldo.
Na etapa complementar a equipe juventudina massacrou o adversário imprimindo um ritmo forte e rápido marcando outros seis gols por Jonaldo (2) Alfedo, Heinz, Babá e Bide.
O técnico Edgar Massoti escalou para este  jogo Renato, Telmo, (Kika),  Jonaldo (Babá), Heinz, (Bide) e Alfredo (Talvani).

NOVA GOLEADA DO JUVENTUS NO SALONISMO

A equipe de futebol do Juventus que está representando Santa Rosa no Estadual Salonista conquistou mais uma vitória expressiva ao golear por 6 2 a AFUBEBO de Três de Maio.
O quinteto santa-rosense não contou8 com dois de seus titulares Telmo e Heinz, seus substitutos Kika e Bide confirmaram o que deles se esperava.
O primeiro tento foi marcado pelos visitantes, mas logo após teve inicio  goleada através de Alfredo, seguindo-se dois de Bide, mais um de  Alfredo, um de Jonaldo e outro de Kika.
O segundo gol da Afubebo foi conseguido no último minuto.
O Juventus venceu com Renato, Kika, Jonaldo, Bide, e Alfredo.

JUVENTUS ESTÁ CLASSIFICADO

Com a vitória de 4 x 2 obtida pelo Juventus, jogando em Três Passos o time que está representando Santa Rosa no estadual de Salão assumiu a liderança isolada da chave.
Jogando um excelente futebol o Juventus provou em Três Passos que Santa Rosa possui um dos melhores “futebol de salão” no Estado.
O Juventus no inicio de jogo foi surpreendido com gol do Minuano. Empatou aos 7 minutos com Heinz. Novamente o Minuano pulou na frente marcando o  seu segundo. Ao final do primeiro tempo, Heinz, o goleador do time fazia novamente o gol do empate.
No segundo tempo a supremacia do melhor futebol do Juventus foi suficiente para derrotar a garra da equipe de Três Passos. Santinho que substituíra o excelente Alfredo conseguiu  através de um bonito gol colocar a equipe santa-rosense à frente e Jonaldo aos 18 minutos consolidava a goleada.

JUVENTUS CAMPEÃO DO 1º TURNO

O Juventus Atlético Clube encerrou sua participação no primeiro turno do Estadual de salonismo enfrentando no Ginásio Municipal de Esportes o Tamoio de Santo Ângelo.
O jogo foi o mais difícil que o Juventus enfrentou na fase. O primeiro tempo foi todo do Juventus.  Aos dois minutos Jonaldo recebeu um passe de Talvani e com categoria marcou o primeiro gol da partida. Aos  5 minutos, Jonaldo fez a torcida levantar-se com gritos e aplausos, quando em conclusão de uma jogada individual dele marcava o segundo gol do Juventus. Aos 15 o Tamoio, por intermédio de Sadi, descontou. Edgar Massoti usou Renato, Jonaldo, Kika (Telmo) Talvani (Chico Timm) e Heinz (Alcibiades).
Para conquistar o primeiro título no Estadual o Juventus fez a seguinte campanha: Aliança 2 x Juventus 0. Juventus 3 x 0, Insetos. Juventus 7 x 0 Jabaculê. Juventus 6 x 2 Afubebo.  Minuano 2 x 4 Juventus. Juventus 2 x 1 Tamoio.


Em  pé: Bide Moroni, Telmo Rigo, Alfredo Moroni, Luizinho, Chico Timm e Edgar Massoti (treinador).
Agachados: Heinz Lorentz, Jonaldo, Kika, Renato e Talvani.

GOLEADA DO JUVENTUS

Depois de empatar contra o Clube do Comércio em Itaqui, na estreia da segunda fase do Estadual de Salonismo, a equipe do Juventus em seu segundo jogo não encontrou dificuldades para golear o Aliança de Giruá, por 5x0.
A goleada começou a ser construída, logo aos 4 minutos com Jonaldo aproveitando-se de uma falha da zaga. Em nova falha da zaga o mesmo Jonaldo marcou o segundo gol aos 9 minutos. Aos 14 Kika marcou o terceiro. Um minuto depois Heinz marcava o quarto. Com a equipe completamente descaracterizada, por modificações o brilho, ao final, não foi o  mesmo. Chico Timm completou o escore.
O Juventus venceu jogando com Renato (Luizinho), Jonaldo (Babá), Kika (Telmo), Chico Timm (Talvani) e Heinz (Lica).

JUVENTUS ASSUMIU A LIDERANÇA DO 2º TURNO

O Juventus que representa Santa Rosa no estadual de salão vem mostrando a cada jogo que é uma das melhores equipes da região. Venceu o Aliança da cidade de Giruá, por 5 x 2 .
Logo ao primeiro minuto o goleador da equipe e uma das estrelas do salonismo de Santa Rosa, Jonaldo, abriu o marcador. Antes que o Aliança esboçasse qualquer tipo de reação Tallvani, mais precisamente aos 4 minutos fazia o segundo.  Heinz, aos doze ampliava o marcador.
No segundo tempo Talvani, o goleador da noite, logo aos 4 minutos, fazia o quarto.  Alcebiades que substituiu Heinz finalizou a goleada no décimo quinto minuto da etapa final. O gol de honra da equipe giruaense foi marcado por Rio Grande aos 15 minutos do primeiro tempo.
Juventus: Renato (Luizinho), Jonaldo, Kika, Heinz I(Alcebiades) e Talvani (Alfredo).

JUVENTUS ENFRENTOU UMA BARRA PESADA

O Juventus Atlético Clube disputou seu segundo compromisso pelo segundo turno do Estadual de Salonismo empatando em zero com o Insetos de Horizontina.
A partida foi toda tumultuada, tendo nas disputas, a equipe da casa abusado com jogadas violentas. Com muita moral  e com a técnica já conhecida o Juventus suportou todos os problemas surgidos e  jogo terminou em empate. O Juventus não contou nesta partida com o concurso de seus dois melhores jogadores, Alfredo e Heinz. O empate foi conseguido com Luizinho, Jonaldo, (Baba), Kika, Talvani e Alcebíades.

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JUVENTUS JÁ É CAMPEÃO DA CHAVE

O Juventus de Santa Rosa venceu o Minuano de Três Passos por um a zero na penúltima rodada do returno e, por antecipação, conquistou o titulo de campeão da Chave Alto Uruguai.
O gol da vitória foi marcado aos 12 minutos do primeiro tempo através de Alcebiades  No segundo tempo,quando faltavam 7 minutos para o encerramento Talvani escapou pela esquerda e chutou forte, marcando aquele que seria o segundo gol do Juventus. O juiz anulou marcando falta vencida. Nesse lance,  iniciou-se um principio de tumulto, tendo sido três atletas do Minuano desclassificados e seu treinador expulso.  O Minuano abandonou a quadra por não ter número suficiente para substituir os três atletas desclassificados. Com a decisão o Juventus ganhou dois pontos e,  por antecipação, conquistou o titulo de Campeão da Chave Alto Uruguai.
Jogou e venceu com: Luizinho, Jonaldo, Kika, Talvani e Alcebíades (Lica)



Em pé: Oswaldino, Santos, Argemiro, Alfredo, Claudio, Jonaldo, Lamar, Edgar Massotu e Volmir Silveira. Agachados: Luizinho, Telmo, Kika, Sérgio e Talvani. (Foto São José)


 “O Juventus participou do Campeonato Estadual de Futsal por muitos anos sempre se mantendo entre as melhores equipes de Futsal do Estado.
Também colocou diversos Atletas em equipes como Grêmio e outras. Formou varias revelações durante estes anos.
Posso dizer que nos anos de 1970/80 foi a melhor época do Futsal de Santa Rosa a nível Estadual.” (Volmir Joner Silveira).


Em Pé: Chico Timm, Massotti, Cico Zoehler, Lica, Renato Scalco ,(...), Gilmar, Volmir Silveira ( presidente ), Waldir Dani e Edegar Masotti( Técnico ),
Agachados: Babá, Heinz, Toni, (...) Adonis, Kika, Alcebides Moroni, Talvani , Eduino.

JONALDO

Veraneando em Capão da Canoa, este ano, tive oportunidade de conhecer Jonaldo, seguramente um dos melhores jogadores de Futsal e futebol, também, de nossa terra.
Graças ao seu acervo de recortes de jornais e fotos, a matéria sobre a seleção de Santa Rosa – Juventus – vai contada com muitos detalhes e ilustrações.
Relatou-nos: “ tudo iniciou nos Campeonatos de Verão, com Losca, Secos e Molhados, Seje Bobo de Cruzeiro.
Esses clubes são o embrião do Santa Rosa, seleção que disputou o Campeonato Estadual de Futebol de Salão. 

Fases regional e final.

Nessa época a seleção disputou como nome de Juventus, no período de 1978 a 1985.
Da equipe Renato Scalco e Heinz  Lorentz foram para o Grêmio de Porto Alegre. Tato Moroni jogou no Vasco.
Compunham a equipe, Luizinho ( da Massey Fergusson) e Renato Scalco, do Losca (junção de Lorentz e Scalco), no gol.
Babá Lorentz,  alas direitas.
Fixos:  Argemiro Kreibich e Chico Zoehler.
Na ala esquerda  Talvani Abreu e   Alcebiades Moroni.
Na frente, Talvani, Heinz Lorentz e Jonaldo, entre outros.

Essa Seleção enfrentou o Internacional de Porto Alegre, tricampeão brasileiro formado por Eugenio, Branco, Branquinho, Gauer e Larri e venceu, no D. Bosco, por 4 a 2, com gols de Alfredo Moroni (2) e  Jonaldo (2).
A seleção vestiu a camiseta da APESUL, de cor azul e a torcida viu no confronto um GRENAL e gritava GRÊMIO, GRÊMIO!
O feito repercutiu junto à sociedade quando então, passaram a disputar o Campeonato Estadual com a denominação de Juventus, na quadra do D. Bosco, com as dependências completamente lotadas.
Começava por um Regional e da chave com Horizontina, Erechim, Uruguaina, por exemplo.
 Na segunda fase enfrentaram o Cosmos de Passo Fundo, depois Universidade de Passo Fundo.
No time de Uruguaiana jogavam Choco e Itaqui.
Um quadrangular final foi disputado em Santa Rosa  e  a Seleção sagrou-se vice-campeã, perdendo a final para o Internacional, por 1 a 0, gol do Biazzeto.
Claudio Duarte, já tendo abandonado o futebol de campo, jogava na lateral direita.
Os outros dois times eram o Ipiranga de Rio Grande e, possivelmente, o Gondoleiros, também, de Porto Alegre.
A estratégia dos Santa-rosenses era treinar no D. Bosco  e jogar no Ginasião  para uma retranca amiga.
Depois, muito depois, quando a maioria dos jogadores da equipe já tinha parado, surgiu a Sociedade Esportiva Concordia, para representar a cidade.

Fonte jornalisticada época: Jornal Noroeste. 
MAIS SOBRE O GLORIOSO JUVENTUS NO FUTSAL CLICANDO AQUI

sábado, 4 de agosto de 2012

Olimpíadas

AS OLIMPÍADAS ESTUDANTIS EM SANTA ROSA

Geová Muller

A Olimpíada Estudantil Municipal de Santa Rosa foi, sem dúvida alguma,  o acontecimento esportivo mais importante, com maior repercussão e que provocou as mais fortes  emoções em todas as famílias da cidade na década 1960/1970.

Os jogos envolvendo a participação dos estudantes das escolas da cidade foi uma criação do  presidente da União Santa-rosense  dos Estudantes Secundários, USES, o então estudante Antonio Carlos Borges, que mais tarde seria Vereador, Prefeito Municipal e também  Deputado Estadual, nessa última posição como representante dos eleitores da região denominada Grande Santa Rosa.

Ainda que iniciada em 1964, o período de maior destaque ocorreu de 1965 à 1970. É que na primeira edição não houve forte adesão de todos os colégios, o que ocorreria na edição seguinte e seria mantida no decurso dos anos subsequentes até atingir, em 1970, o ponto culminante.

A USES tinha como associados os estudantes do ensino de grau médio, naquela época distribuídos nos cursos denominados de nível secundário, compreendendo a primeira fase o ginasial e a fase seguinte que o aluno escolhia entre científico, técnico comercial ou normal. 

Os colégios cujos alunos participavam dos jogos estudantis eram: Colégio Concórdia, que possuía curso ginasial e científico; Colégio Estadual Visconde de Cairu, com ginásio e normal; Colégio Salesiano Dom Bosco,  com cursos ginasial e científico;Escola Técnica João Dahne, com curso de técnico em contabilidade; Escola Técnica Machado de Assis, com curso ginasial e curso de técnico contabilidade  e, ainda, Escola  Santa Rosa de Lima, com curso ginasial e normal.

Os cursos científicos tinham a finalidade de preparar os jovens para cursar faculdade, que ainda não existiam em Santa Rosa, obrigando-os a buscar noutras cidades a continuidade dos estudos.  Os cursos de técnico em contabilidade proporcionavam a formação de contadores, com possibilidade de emprego nas empresas da cidade e da região, ou instalação com escritório próprio de contabilidade.  O curso  de normal, preparava as normalistas, e era o responsável pela formação de professores, que passavam a lecionar nas escolas locais e de municípios vizinhos.

A organização e a coordenação da olimpíada ficava a cargo da Comissão Organizadora, formada anualmente e a partir da indicação pelos colégios participantes de  um representante seu. Esse grupo elaborava toda a programação, que consistia basicamente na abertura com desfile dos atletas, o calendário dos jogos com datas, locais e horários,  as disputas de atletismo e de natação e a data e o local dos atos de premiação e de encerramento. Os membros da comissão escolhiam, entre eles, o coordenador geral que respondia pelo grupo, pela convocação das reuniões e também presidia os trabalhos, onde eram recebidas as manifestações encaminhadas pelos colégios participantes, julgadas as ocorrências dos jogos, as indisciplinas registradas em súmula pela arbitragem e também decidia sobre os protestos encaminhados pelas equipes.

Em todas as edições a olimpíada foi realizada, invariavelmente, na primeira quinzena do mês de setembro, aproveitando primeiramente as comemorações da Semana da Pátria que geralmente implicava na suspensão das aulas para o vasto programa cívico  e  prosseguia na semana seguinte também sem atividade curricular porque o atletismo ocorria durante o dia e os esportes coletivos à noite, sendo que  alguns colégios ministravam as aulas pela manhã e em outros os cursos funcionavam à noite.

Por ocasião das Olimpíadas Municipais Estudantis  era escolhida, anualmente, a Rainha da USES, figura de destaque em todos os jogos e nas solenidades durante sua duração, inclusive na entrega dos prêmios aos vencedores.

As disputas de provas de atletismo tinham como cenário  a pista olímpica do 1º Regimento de Cavalaria Motorizada,  as de natação na piscina da Sociedade Ginástica Vigor,  os jogos de futebol no Estádio Municipal Carlos Denardin, as disputas de tênis nas quadras da Sociedade Cultural e os jogos de voleibol e futebol de salão (era assim que se denominava na época)  eram obrigatoriamente desenvolvidos no Ginásio Municipal de Esportes, que lotava completamente todas as noites.  Como o Ginasião foi edificado apenas em 1966, os jogos coletivos foram iniciados na quadra do Ginásio Evangélico da Paz e no ano seguinte nas instalações da Igreja Evangélica São João, que não eram os locais adequados, mas os únicos disponíveis, talvez tenha sido essa a razão para que o evento ganhasse maior dimensão quando da construção do Ginásio Municipal.

O encerramento dos jogos, a proclamação dos vencedores, a entrega de medalhas, de prêmios e a consagração  do campeão mediante entrega da grande taça era um evento portentoso e marcava a comemoração emocionada dos vencedores, o  congraçamento dos atletas, dos demais estudantes e de seus familiares, o que resultava na lotação dos salões da Sociedade Cultural, sendo em seguida realizado um grande baile que se arrastava até  a manhã do dia seguinte.

O grande destaque na primeira fase de disputa completa da olimpíada foi o Colégio Concórdia ao sagrar-se  campeão nos anos de 1965, 1966 e 1967, alcançando o tricampeonato, marca inigualável nos  anos seguintes até o desaparecimento da competição.

Os resultados favoráveis do Colégio Concórdia decorreram principalmente das provas de atletismo, tênis e natação e, ainda, boa colocação no  basquete e no voleibol. Contribuiu muito para isso, o fato de que era um dos poucos educandários que possuía tanto equipes masculinas como  femininas. A Escola Santa Rosa de Lima e a Escola Estadual Visconde de Cairu tinham apenas equipes femininas e o Colégio Salesiano Dom Bosco e a Escola Técnica João Dahne apenas equipes masculinas, o que tornava muito difícil superar a pontuação do Concórdia e também do Machado de Assis, os dois que se mantinham na ponta e cultivavam desportivamente grande rivalidade.

Com relação às equipes de futebol de campo e futebol de salão havia franca predominância do João Dahne e seguindo de perto pelo Machado de Assis, em decorrência de estudarem, por serem as aulas à noite, os melhores atletas da cidade e de cidades vizinhas, muitos dos quais eram titulares dos principais clubes em atividade.  As equipes de voleibol e basquete do Machado de Assis, sob o comando de Luiz Floriano Meneghel, foram os vencedores nos primeiros anos.  Os times de futebol, campo e salão, do João Dahne, sob a batuta dos irmãos Gerson  e Volmir Silveira, eram os campeões com facilidade. O sexteto feminino do Liminha, orientado pelos professor João Lencina Toledo, vencia todas as partidas de voleibol, sendo que Paulo Zenni Araújo era o técnico do Visconde de Cairu.  As equipes do Concórdia eram orientadas por Valdir Rohde  nas disputas de voleibol e basquete e Geová Müller, presidente do Grêmio Estudante Concórdia, cuidava do futebol de campo e do futebol de salão.

As equipes de voleibol feminino do Liminha e de futebol de salão  do Dom Bosco foram os vencedores dessas modalidades em 1964, cujas formações constam na fotografia logo a seguir.


Equipe Dom Bosco, Em pé, da esquerda para direita: Arnaldo Rigo, Sérgio, Neri Grifu, Gilberto Rosa, Chico Capellari e  Rosés; Agachados:  Oscar Warth Neto e Candinho Pilau.
Equipe Liminha: Em pé:  Maria do Carmo Pilau e Maria Inês Nedel; Agachadas: Marlene Weber (Niki),  Tita  e  Terezinha Schmidt (Teca).
Em 1966, quando o Colégio Concórdia conquistou o bicampeonato olímpico, também foi vencedor na modalidade de futebol de salão, cuja formação consta na fotografia que segue.


 Em pé, da esquerda para a direita:  Geová Müller (treinador),   Alfeu (lateral), Eleri Kelm (goleiro),  Vilmar Hartemink (lateral e  Luiz Bólico (atacante)     .   Agachados:  Carlos Alberto (atacante), Oscar Warth Neto (atacante),  Aquiles Puntel  (zagueiro)  e  George Vargas (armador).

O time de futebol de campo do Colégio Concórdia na edição de 1966 da Olimpíada Municipal, após duas vitórias e um empate acabou na terceira colocação, sendo derrotada pelos representes do João Dahne.


Time do Concórdia, Em pé, da esquerda para a direita:  Geová  Müller (técnico),  (  ...), (  ...  ),  Alfeu, George Vargas, Aquiles Puntel, Vilmar Hartemink e  (  ...); Agachados:  (  ...  ),  (  ...),  Oscar Warth Neto, José Aguiar e Carlos Alberto.

A abertura da Olimpíada de 1967 ocorreu no Estádio Municipal Carlos
Denardin, com o juramento do atleta e, após, o início dos jogos com a primeira partida do campeonato de futebol de campo.


O primeiro jogo foi entre Colégio Concórdia e Colégio Salesiano Dom Bosco, partida de futebol de campo.  Em linha, na frente dos atletas estão o juiz Júlio Nunes, a Rainha da USES  Meire Ana Bozzetto e o Presidente da USES  Nerci José de Conti.
A equipe de futebol de salão do Colégio Concórdia foi a campeã de 1967 na modalidade de futebol de salão, com a formação fotografada e que consta logo abaixo.


Em pé, da esquerda para a direita: José Aguiar (Auxiliar Técnico), João Carlos Castilhos (zagueiro), Mauro Soares (Goleiro), Alfeu (zagueiro),  (  ...  )  e Geová Müller (Técnico); Agachados:   (  ...),  George Vargas (atacante), Fábio Neves (lateral)  e  Oscar Warth Neto (atacante). 


Os estudantes do Colégio Concórdia e a torcida em geral comemorando a conquista do tricampeonato estudantil   em   1967, logo após o encerramento dos jogos no Ginásio Municipal.

A fotografia abaixo é um momento das disputas da Olimpíada de 1970, aparecendo a Rainha da USES e a Comissão Organizadora.




Coordenação da Olimpíada de 1970:  Sentados, da esquerda para direita: Paulo Vargas,  Volmir Silveira (Chico), Romeu Kloeckner, Geová  Müller e a Rainha da USES   ( ?).
Solenidade de premiação dos vencedores da Olimpíada Estudantil de Santa Rosa, edição de 1970, com a entrega de medalhas e troféus aos vencedores, Colégio Salesiano Dom Bosco, nos salões da Sociedade Cultural, local em que nessa mesma data foi realizado o baile de encerramento dos jogos.


Ato da entrega da taça ao campeão da Olimpíada Municipal  de 1970., momento em que, presentes repórteres da Rádio Guaíra e R  Geová Müller passa a taça de campeão a José Carlos, representante do Colégio Salesiano Dom Bosco

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Personagens

NUNO: Uma página do nosso futebol.

Numa visita ao Museu Municipal, encontramos o Nuno. De palavra fácil, muito atencioso, discorremos bastante sobre o futebol de Santa Rosa. Tanto que resolvemos transformar nossa conversa em entrevista. Vamos lá.

Quem é Nuno? -Meu nome verdadeiro é Valdir Weiss, nascido em 1945, na cidade de Guarani das Missões/RS. Vim para Santa Rosa, aos 5 anos, acompanhando minha família. Ninguém me conhece pelo nome e sim pelo apelido de Nuno, adquirido por causa do futebol. Aos 14 anos comecei jogar no 1º de Maio. Depois, joguei no Ferroviário, Sepé Tiarajú, Aliança e A.A. Real. Sou aposentado como servidor municipal e continuo na ativa como guardião de um grande patrimônio: o Museu Municipal de Santa Rosa.

Seu primeiro clube foi o 1º de Maio. Fale sobre sua trajetória no clube: Como já falei, comecei a jogar com 14 anos. Nunca disputei jogos nas equipes de aspirantes. Sempre fui titular em todos os clubes que passei. Jogava em qualquer posição do ataque. O campo do 1º de Maio era à esquerda na descida da Borges de Medeiros, na curva, antes da ponte do Rio Pessegueiro, saída para Giruá, hoje Vila Piekala. Do outro lado da avenida, na antiga Baixada do Pessegueiro, jogava a Academia Liverpool, que pouco durou. O nosso campo era muito bonito, uma boa grama, dava para rolar bem a bola. O uniforme era alvi-verde. Disputávamos muitos jogos com times de Ijuí e Santo Ângelo. Era um bom time. Fomos campeões do futebol menor em 1967. Eu gostava muito do 1º de Maio. O domingo era reservado para jogar lá. No sábado até poderia atuar para outra equipe, mas o domingo era sagrado para o 1º de Maio. Eu jogava bem. Chutava tanto com a perna direita como com a esquerda. Tanto fazia, com bola rolando ou na cobrança de faltas.  As vezes eu jogava nos sábados e também no domingo. Aos sábados a noite íamos ao cinema e depois direto para casa, pois, no domingo tinha o jogo. Os clássicos da época eram quando se defrontavam entre si, o 1º de Maio, o Prenda(time do frigorífico), o Ypiranga da Vila Sulina e o Serrano do KM 3.
Recordo muito das caminhadas que fazíamos para jogar. Íamos de transporte até o Bairro Cruzeiro e de lá a pé até o Lajeado Reginaldo, no campo do Farroupilha. Depois do jogo voltávamos também a pé, de lá até a Avenida Borges de Medeiros. Era uma baita distancia, mas se enfrentava.



E, no Ferroviário, como foi sua participação? Pois é. Um grupo de pessoas deixou o 1º de Maio. Eu o Nenê Reihner, o Davi Schütler, os três irmãos da família Batista, o Valtair, o Valdir e o João Carlos, o João Wandenvert, o Canhoto, é os que me lembro e então fundamos o Ferroviário. Deixamos o que tinha, fardamento, troféus, etc. para o 1º de Maio, que mais tarde transferiu-se na antiga Baixada e posteriormente para um campo na Vila Planalto, até encerrar suas atividades. O campo do Ferroviário se localizava na saída para Cândido Godoy, na propriedade da família Schütler, em frente hoje da Vila Auxiliadora. O Ferroviário é o mesmo assumido mais tarde pelo saudoso Pedro Motta, tantas vezes campeão municipal. As corres do Ferroviário era vermelho e branco. 

O Senhor teve uma boa passagem também pelo Sepé Tiarajú. Foi um bom momento como jogador? Sim. Eu estava com 22 anos. Fomos disputar o Campeonato Estadual de Amadores. Lá eu era remunerado. Ganhava para jogar. O alvi-azul montou um bom time, mas não foi longe. Lembro de dois jogos, que me marcaram muito. Ambos com o Riograndense de São José do Inhacorá, que na época ainda era distrito de Três de Maio, em que marquei 5 gols. Recordo que jogavam o Pompéia, o Giba, o Quindó, o Gordo (João Fortes), Miro, Orestes e os irmãos Uca e Iba que moravam da Vila Nova. No primeiro jogo, na casa deles, lá em São José, num sábado a tarde, o Maschio e o Presidente, Professor  Dorival Barcelos, de táxi, me buscaram em casa e fomos para o jogo com somente 13 atletas. Fomos se fardando no ônibus, durante a viagem. Estávamos bastante atrasados. Quando lá chegamos já estavam em campo o Riograndense e o trio de arbitragem. Estavam felizes, pois achando que ganhariam por WO. Foi quando aparecemos. Entramos em campo, em com dois gols meus, ganhamos o jogo. O Spíndola, que na época  trabalhava  na Rádio Sulina, foi junto para fazer a reportagem. No segundo jogo, no Carlos Denardin, que também foi o último que disputei pelo Sepé, tínhamos somente 10 atletas para o jogo. Foi então que apareceu o Gordo (João Fortes), que havia chegado de volta a cidade (parece que vindo de Bagé), utilizou a ficha de seu irmão, que eram muito parecidos, imitou tão bem a assinatura, que os fiscais do jogo não perceberam. O Gordo completou os onze. Jogamos sem reservas. Neste jogo fiz três gols. O primeiro, recebi a bola no meio do campo e fui driblando até fazer o gol. Ainda no primeiro tempo Pedro (lembro o nome do jogador) empatou para o Riograndense. Numa rápida escapada, ainda na primeira etapa,  marquei o segundo. Eu estava fisicamente bem preparado. Corria muito. No segundo tempo alguns companheiros do time me isolaram, mas mesmo assim, fiz o terceiro e o Alfonso o quarto. Ganhamos por 4 a 1. Foram dois jogos que me marcou muito.

Paladino e Aliança eram na época, os grandes times da cidade. Pelo seu futebol,  poderia ter jogado em ambas equipes.  Faltou convite de ambos para jogar? O que houve? Recebi convite do Aliança, numa oportunidade.  Fiquei pouco por lá, pouco me lembro daquela passagem. No Paladino nunca joguei. Eles traziam muitos jogadores de fora, de outras cidades para os dois times. Eram todos remunerados. Lembro do Dr. Monte Alvar, do Paladino e do Francisco Berta do Aliança, que comandavam os dois times.

O Senhor colaborou também na fundação da Associação Atlética Real? Foi o último clube que joguei, além de ajudar na sua criação. Até hoje participo colaborando. A fundação da A. A. Real foi na data de 02 de abril de 1969. Possui estatuto constituído legalmente, com todos os registros. Suas cores são verde e vermelho, como a Portuguesa de São Paulo. A  A.A. Real  iniciou suas atividades no velho campo da baixada do Pessegueiro, na Borges de Medeiros, onde era o antigo estádio, Depois a Prefeitura negociou o terreno para uma empresa se instalar no local e nos repassou em comodato por 10 anos o campo do Soni, na Vila Planato. Faz uns cinco anos que estamos lá.

Quando o Senhor parou de jogar futebol? Eu estava na A.A. Real. Aos 31 anos sofri uma lesão no joelho e tive que fazer uma cirurgia com o Dr. Medina. Fiquei hospitalizado durante duas semanas. Não deu mais. Parei de vez como jogador de futebol.

Para finalizar, o que o Senhor gostaria de acrescentar? Olha. Eu trabalho aqui no museu. E não tem nada que trata do nosso futebol. É uma pena, porque é a nossa história que se perde no tempo.  Gostaria que as autoridades do município fizessem alguma coisa para preservar a memória do nosso futebol.