sábado, 25 de agosto de 2012

Memórias do nosso futebol

PALADINO 3 X 1 JUVENTUS 
(História do jogo realizado a 59 anos. Colaboração: João Jayme Araujo
 
Data: 27 de setembro de 1953
Local: Estádio Baixada do Pessegueiro – Santa Rosa/RS

                                                                                                    
A  equipe do Paladino FC que disputou o jogo
 

A equipe do Juventus AC que disputou o jogo

(Ao fundo, a direita, o time do Paladino entrando em campo.)

Leia o que diz o Jornal A SERRA sobre o jogo no final de semana seguinte: 
 Clique na foto para ampliar.



Graças à colaboração de Elton Zielke e de Joca, filho de meu querido amigo LUIZ CAPPELLARI, assim como o foram todos os seus irmãos, resgata-se por fotos e noticias de A SERRA, um dos clássicos mais esperados no futebol de nossa terra.
Paladino e Juventus eram os expoentes do futebol em Santa Rosa.
O clássico de 1953 decidiria, possivelmente, o campeonato.
Como atrativo extra, a disputa da condição de artilheiro do ano, entre Charles e Jayme, que estavam empatados. Com dois marcados nesse jogo Charles conseguiu o galardão.
O Juventus era comandado pelo técnico Barcellos, que viera de Porto Alegre, trabalhar na construção civil e com eles dois atletas que logo se incorporaram aos periquitos, CARECA E TELMO.
CARECA um centro médio com as características dos center-halfs, de então.
Daqueles que tendo a bola sob seu domínio, normalmente, de cabeça erguida, lançavam em ótimas condições seus atacantes, para que esses desempenhassem a respectiva missão.
TELMO, um ponta-esquerda arisco que buscava e encontrava a linha de fundo. Um dos trunfos do Juventus, mas, nessa partida, por contusão, não pode atuar o que se constituiu num sério desfalque.
Examinando-se hoje as fotos da pugna, chega-se à conclusão que o PALADINO tinha melhor time.
Sobressaiam DÉCIO e NIQUE irmãos, zagueiros comprados depois, por uma geladeira a cada, pelo Aliança.
Os irmãos Charles e Nolly,, este, como se diz, sabia e Charles um ponteiro-direito, depois centroavante. Velocista e dono de um chute potente. Tinha o faro do gol.
Como goleiro, Júlio, discreto, mas efetivo.
Nino, zagueiro que tinha passagem por bons clubes de centros maiores.
Ernani, tosco, mas, se impunha em sua área.
Napoleão, bom lateral, marcador implacável.
Lauro Fenner, que atuara antes, com destaque no próprio Juventus e no Tuiuti de Santo Ângelo e Paulo Terra, um porto alegrense colored, como se dizia, antes do politicamente correto, dono de uma visão de jogo destacada, bom jogador, melhor caráter.
No Juventus eram destaques, Careca, Antonio, Jayme, Décinho, este o cérebro do time, dos maiores jogadores da região e Luiz Cappellari, bom jogador, mas, genioso.
Pela comparação, vê-se a superioridade do vencedor. 



Equipe do Juventus entrando no Estádio: na frente Jayme. Fila da esquerda, Hectore, Carlinhos, Careca e Luiz Cappellari. Na direita: Adão, Antonio e Decinho. De chapéu, no lado, Telmo ponteiro esquerdo que, por contusão, não atuou. 

A TORCIDA FEMININA 

Foram destaque nessa partida, as torcidas femininas. Admiradoras do Juventus, tendo Ascânio Pinto como chefe da torcida e Claudete Araujo à frente, resolveram marcar presença, devidamente uniformizadas.
O vestido era de cor verde, com golas e punhos vermelhos e completando o visual um chapéu de palha enorme.
Para saudar sua equipe, percorreram o comércio em busca de auxilio, destinado a compra foguetes, com os quais receberam os atletas na entrada em campo.
Nas fotos abaixo das torcedoras, vêem-se três incidências, como: entrada em campo, entrega de uma "corbeille" para o capitão da equipe, Careca e este acompanhando Águeda e Claudete Araujo, quando estas deixavam o campo. 



Ascânio Pinto, chefe da torcida do Juventus. Aparecem, dentre outras, Claudete, Águeda e Negra Araujo, Evinha, Lisete Koch,Neiva Hoffmann, Maria do Carmo Acioli e Laís Albrecht.



Careca, capitão da equipe do Juventus  recebendo uma corbelia de flores. Vê-se, entre os chapéus, os atletas Adroaldo Liberalli e Paulo Pinto que não apareceram n a foto da entrada no Estádio.



Capitão do Juventus Careca, acompanha Águeda e Claudete Araujo, quando elas se retiravam do campo em direção ao Pavilhão.



Torcida feminina do Paladino: Janete Berta, Liége e Dione Zenni; Vera Maria, Stella,Maria de Lourdes Cardoso, Miriam e Eda Zenni; Lilian (de mãos erguidas) e Luze Koch, Ruth Matter, Ila Andrade...".
Como em cidade do interior é difícil guardar-se segredo, as torcedoras do Paladino descobriram o movimento das adversárias e também se fizeram presente uniformizadas.
A história contada por VERA CARDOSO WIENANDTS: " Eu, era menina de tranças, ainda. As mais velhas conseguiram motivar a turma então apaixonada pelo Paladino, determinando que todas usariam roupa branca e vermelha de
preferência a saia branca e blusa vermelha. Quem não tivesse colocaria alguma roupa onde se destacassem essas cores.
Outra coisa, lembro bem, confeccionamos bandeiras de tiras vermelhas e brancas de papel crepon, presas numa madeirinha por percevejo.
As menores, as amigas minhas,Dione,Liége, fomos arrecadar as hastes dessas lá no Scalco Móveis que cortaram exatamente como pedimos.
Todo mundo se juntou pelas casas para confeccionar as ditas bandeirinhas.
Entramos pela lateral do campo em direção às arquibancadas. Agitávamos as bandeirolas gritando frases e palavras de efeito visando um bom desempenho de nosso time. Vitória do nosso time.
O Paladino estava no auge e nós meninas que frequentávamos o estádio do Pessegueirinho junto com as manas maiores, claro, resolvemos apoiar o time com uma grande torcida feminina. E, assim foi, num determinado domingo para espanto de todos, adentramos pelas laterais do gramado. onde havia o campo e onde o Paladino enfrentaria (Juventus) vestidas "para matar" de branco e vermelho. A saia rodada(da época, com armação) era branca e a blusa vermelha ou vice versa como havíamos combinado em reunião da turma.
.Ah, aquilo deu uma vida na torcida que não parava de gritar palavras de incentivo, de força aos jogadores que também havíamos combinado.
Uma começava e as outras iam fazendo um coro, espetacular, o povo aplaudia e co-participava.
Foi inédita esta atividade com relação a um time de futebol, enfim, mais ou menos 30 meninas, adolescentes e as mais maduras.
O máximo, numa época em que o futebol era uma grande atração, um bom programa de domingo à tarde, nas pequenas cidades e os jogadores nativos do local, todos conhecidos e alguns namorados.
Espero que gostem do que contei, pois, para mim estasatividades,foram inesquecíveis.(Vera Cardoso Wienandts) 

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