quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fatos e Fotos Antigas Parte XIII

PARTE XIII

1 – PSICOLOGIA E MALANDRAGEM DE TREINADOR

Prof. Paulo Araujo, que foi técnico do Juventus, Paladino, Aliança. Juventude, Sepé e ASRE.

Quando treinador do Paladino, contava em circunstancias especiais, com um atleta de Crissiumal.

Numa semana de partida importante, o jogador centro avante – talvez o melhor da equipe – de um momento pra outro apareceu manquitolando, com o evidente propósito de amorcegar, quiçá, para levar algo “por fora” de um dirigente. Notando a evidente malandragem, o treinador não se abateu. Mandou chamar o jogador de Crissiumal.

Este passou alguns dias em treinamento e foi escalado para integrar o onze. O “contundido” sabendo ser ele o melhor da equipe, quando se assegurou junto ao treinador que não jogaria, surpreendentemente ficou curado. Mesmo contra a opinião dos cartolas, o técnico manteve sua palavra. Deixou-o na reserva.

No intervalo do primeiro tempo o atleta insistia em jogar. No meio da etapa complementar, como o marcador se mantivesse mudo o treinador olhou para o atleta e disse-lhe:

Vá lá. Jogue! Ganhe o jogo. Em caso contrário não mais atuarás comigo. E nem em Santa Rosa.

O atleta, agora obediente, temeroso entrou em campo comeu a bola, fez o gol da vitória. Para se ter sucesso na vida, às vezes, é necessário, pôr as coisas em seus devidos lugares.


2 – PUXÕES DE ORELHAS



Devido à superioridade do time por ele treinado, notou que seus jogadores já não tinham o mesmo interesse, o mesmo empenho nas ultimas partidas. Pensou, pensou como poderia motivá-los para que parassem de fazer corpo mole.

No momento da preleção, sentou-se junto a eles. Ficou fitando-os sem dirigir-lhes nenhuma palavra.

Instaurou-se, então aquela cena famosa da briga entre o gato e o rato.

Passados minutos, dirigiu-se aos seus pupilos assim: - eu ainda não escalei a equipe. Quem se considera destacado titular absoluto e pensa que por isso não precisa se empenhar alcance sua camiseta para os reservas. Eles, por certo irão dar a vida pela vitória.

Todos esses vestiram as respectivas camisas, jogaram, fizeram tanta força, como se estivessem em testes. E o resultado não se fez esperar.


3 – DESCOBERTA DO CENTROAVANTE



Treinando o Aliança, certificou-se que seu time não tinha um centro avante decisivo e que soubesse cabecear.

Dentre os atletas de seu elenco havia um, já veterano. Bom cabeceador, mas, sempre jogara na zaga.

O técnico dirigiu-se a ele e disse: preciso de alguém que saiba cabecear para ganharmos esse jogo. Topas quebrar-me o galho atuando de centro avante, com essa missão?

Com a aquiescência dele, escalou-o e determinou a seus dois ponteiros que cruzassem a bola para a área, toda vez que isso fosse possível.

O veterano cumpriu sua missão com brilho, tendo, inclusive marcado o gol da vitória.

4 – DOMINIO DA MEIA CANCHA

Enfrentou um time que tinha, na meia-cancha, só craques. Os conhecia bem, vez que fora treinador deles.

Determinou a seus atletas que só jogassem pelas laterais, impedindo que a bola passasse por este setor de campo do adversário.

Os jogadores cumpriram com o que lhes tinha sido orientado.

Terminada a partida um dos atletas adversários, que praticamente não viu a bola, perguntou: - como é que a pelota nunca chegava ao nosso meio campo, Prof.Paulo? Simples, pra vocês não jogarem e não se adonarem da partida a única maneira era fazer com que a bola não chegasse na meia cancha, jogando sempre pelas laterais!.


5– GREMIO SANTA-ROSENSE


Equipe do Grêmio Santa-rosense Campeão da Copa do Imigrante em 1973.

Tendo assistido alguns jogos desta categoria, em campanha por Santa Rosa, foi procurado por um dirigente gremista, para dirigir o time num jogo de decisão.

Não querendo envolver-se diretamente e tendo constatado que os seus adversários tinham por atividades no quartel, no condicionamento físico, seu ponto alto, na preleção, enfatizou este detalhe, ressaltando que para vencê-los, era tentar prender a bola, o máximo possível.

Evitavam, assim, um desgaste que eles impunham, com a intensa movimentação. Palavras textuais: “só existe uma bola em jogo, vamos tentar mantê-la em nosso poder, sem chutá-la a esmo, para a frente, objetivando os contra-ataques.”.

Tal foi cumprido à risca.

Não entrando na correria do adversário, o Grêmio venceu surpreendentemente o time favorito, provocando uma festa de enormes proporções na cidade.

(Paulo Zenni Araujo)


6– A SUPERSTIÇÃO.

Jogava-se um clássico em Santa Rosa. E, como em todos os lugares, estes confrontos, provocam as mais surpreendentes reações, envolvem dirigentes, torcedores, enfim, vale tudo que foge a normalidade.

Uma hora antes do jogo, chegávamos ao estádio municipal. Quando entramos no vestiário, nos deparamos com algo pouco comum no seu ambiente.

Atrás da porta estava um copo de água, uma vela acesa e um ramo de espada de São Jorge.

Pude perceber uma série de reações dos jogadores diante do fato.

Começaram a se fardar, alguns recebendo massagens, outros ocupados no rotineiro. Quando estavam todos prontos, esperando pelas orientações finais, fiz somente uma observação: “Já nos preparamos durante a semana, o que tinha de ser feito já se fez, mas, agora eu quero mais um pouco da atenção de vocês.

Eu não quero e nunca interferi nas crenças religiosas de ninguém mas, eu vou tomar uma iniciativa, vou jogar este copo de água fora e, com ele o ramos de espada de São Jorge e também vou apagar esta vela.

Se eu acreditasse nisto, e não no futebol de vocês, e no meu trabalho como treinador eu não estaria aqui, rasgaria o meu diploma e ficava em casa.

“Vão lá e ganhem o jogo pela competência de todos”.

Não deu outra. Ganhamos e o ritual foi esquecido.

(Paulo Zenni Araujo)


7– CAMPINHO DA VILA MILITAR

Orly Brito Vieira e Ivon Brito Vieira

Ali, onde penso, que ainda se encontre a Vila Militar dos Oficias, havia um terreno baldio que era “habitat” de perdizes.

Íamos, na infância, treinar os cachorros perdigueiros juntamente com meu pai para conhecerem e sentirem o cheiro da ave.

Com a chegada do progresso e da habitabilidade da Vila, as perdizes se foram embora. Ficou, ali, abandonada, uma boa réstia de grama.

Para o local tornar-se um campinho de futebol foi um pulo. A ORLY e IVON BRITO VIERA, filhos do Cap. SALDANHA, logo se enturmaram Paulo, Jayme e Ruy, que moravam próximo, para lá acorriam em todos os momentos de folga.

8 – JUNIOR’S ATLAS

Houve, em Santa Rosa, um time de futebol de salão, que ficou famoso pelos resultados conseguidos aqui e nas redondezas, o ATLAS.

Fazia parte da equipe um dos irmãos de uma grande família, cujos “estrangeiros” vinham à cidade, visitar seus pais, no período de férias.

Travou-se uma discussão entre os que aqui não residiam e os da cidade que culminou num desafio para uma partida a fim de provar quem era o melhor.

Os porto-alegrenses enxertados de familiares da terra, sendo goleiro um gurizinho, lograram um empate de três a três no tempo normal.

Os locais desafiaram para uma prorrogação. Aceita esta e, mais uma, as partidas terminaram em quatro a quatro e, depois, em cinco a cinco.

Os cobras do JUNIOR!S ATLAS, rogaram por mais um acréscimo de tempo.

Nós, contestamos. Só queríamos provar que vocês não são tão bons quanto se alardeia. Esperem pelo próximo ano!

Nosso time? Alemão, Jayme, Paulo, Mauro e João Carlos Macluf.


9 – FLÁVIO E CÍCERO


O Dr. Vicente Cardoso a quem a cidade tanto deve junto com dona TIDA, tiveram dois filhos homens. Um Flávio, oficial do Exército e, como tantos, só vinha a terra em tempos de férias.

Quando aqui estava integrou por várias vezes a equipe do Paladino, como goleiro.

Tinha o rosto todo marcado e diziam isto se devia, ao arrojo, uma vez que, uma de suas características, era jogar-se nos pés dos atacantes adversários, machucando a “cara”, não raramente.

Cícero, o mais novo, exemplando-se no irmão, também seguiu a carreira militar, tendo mesmo, no desempenho de suas funções, servido no IRAQUE.

Como goleiro, apenas o vi jogar no segundo time do Ginásio, pois, com ele atuei.

Deve ter tido destaque, também, nos times de oficiais do Exército nos quais atuou.

10 – CHUTEIRAS


As primeiras chuteiras – que os castelhanos chamam fobas – das quais se teve conhecimento na terra eram de cor branca, com o bico em couro escuro e com madeira na ponta para se fazer gol “de bico”.

Perduraram por muito tempo.

O comercio desses sapatos era incipiente e corria-se a fazer encomendas para seleiros e sapateiros para que as confeccionassem.

As traves delas chamavam-se garradeiras e às vezes tinham o formato redondo que iam até o solado e eram presas por pregos de sapateiro, às vezes salientes.

Havia, porém, os mal intencionados que mandavam fazer as agarradeiras de aço.

Em caso de uma perna atingida era corte na certa, mesmo porque, raramente se usava caneleiras.

Era quando entravam em ação os massagistas com curativos de iodo- que ardia como o inferno – ou mercúrio cromo, que deixava a pele com cor de sangue.

Mesmo as tornozeleiras vieram depois e usadas por cima das meias, para serem exibidas com destaque...

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