sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Homenagem


DE HERÓI A VILÃO OU UMA INJUSTIÇA.

Depoimento de Raul Meneguini sobre a morte de seu amigo Alberto, goleiro do Grêmio, ocorrido há poucos dias, que está sendo publicado neste blog por sugestão dos amigos João Jayme Araujo e Alceu Medeiros.

Alceu Medeiros contata por e-mail a Raul sobre a perda do Alberto: “Não sei por que, mas lembrei-me de ti ao saber da morte do Alberto, ex-goleiro do Grêmio. O Alberto era o teu amigo e vi vocês jogando junto muitas vezes, inclusive na seleção de Santa Rosa. Aceite os meus pêsames pelo falecimento dessa admirável pessoa. Um abraço do Alceu”.
Comovido, Raul escreve um texto emocionado sobre a convivência no futebol com Alberto e a relação de amizade entre os dois, enviando para o Alceu. Este remete o texto a Porto Alegre ao Senhor Jayme Araujo, que sugere que seja publicado neste blog. Por gratidão a esta relação de amizade, entre o Alceu, o Jayme e o Raul, no qual me incluo e sinto-me na obrigação de assim o fazê-lo.
Alceu Medeiros reporta desta forma: “Dr. Jayme: envio-te cópia da resposta que o nosso amigo em comum, Raul Meneguini, me mandou, muito emocionado pela morte do Alberto, ex-goleiro do Grêmio, ocorrida na semana em que passou. Eu sabia que o Raul gostava muito do Alberto, só não sabia do tamanho da amizade entre os dois. Estou repassando essa mensagem sem saber da opinião dele, porém acho que o Raul gostaria que todo o mundo soubesse da amizade dele com o arqueiro tricolor. Um abraço. Alceu.”



Vamos então ao depoimento do Raul que assim escreve: “Estimado Alceu Medeiros! Recebo emocionado a tua solidariedade, pelo falecimento do querido amigo Alberto Silveira. Tal notícia, da morte do Alberto, tomei conhecimento na madrugada do dia 16 do corrente mês ao ler a Zero Hora, via internet; te cumprimento pela boa memória que tens sobre o fato da minha amizade com o Alberto, que era, para mim, além de amigo,  um  irmão que não tive. Pela sua generosidade, fui levado a treinar no Aymoré de São Leopoldo em 1963(quando ainda o Alberto era goleiro do índio capilé). No mesmo ano de 1963 ele foi comprado pelo Grêmio e foi heptacampeão pelo tricolor. Quando esteve aqui em Santa Rosa, em visita a familiares, por parte das suas genitoras, o Alberto Silveira e Airton Capaverde eram primos. Isso aconteceu em janeiro de 1963 e a ele Alberto fui apresentado pelo Airton Capaverde (eu trabalhava no escritório contábil do Nelson Gomes de Almeida, lembras?); daí, em razão de sermos adeptos do futebol e ele na necessidade de manter a forma é que o convidei para treinar com a seleção de Santa Rosa, que estava se preparando para um jogo amistoso contra a seleção de Cruz Alta. Os treinos foram realizados no campo do Exército e ele pegava tudo. Lembro-me que o Queixinho (centro avante do Paladino) num desses treinos, conseguiu fazer um gol no Alberto, fato que o Queixinho passou a gabar-se para todos sobre tal feito. Num domingo, sem sol, foi realizado tal jogo no Carlos Denardin entre as ditas seleções. Santa Rosa venceu pelo escore de 2x0. Como me saí bem, o Alberto interessou-se  em me levar a fazer um período de testes no Aymoré. Lá,  fiquei aproximadamente 90 dias, fazendo exercícios físicos sob a batuta do Mario Dornt e treinando no time considerado reserva, contra os titulares e sob a batuta do técnico Carlos Froner.  Ao final  Itacir Mandelli (presidente do Aymoré) me propôs ficar o ano de 1963, treinando até quando o quarto zagueiro titular Daudt sairia de São Leopoldo, vez que, lá, se encontrava e permaneceria somente até do fim do ano de 1963 (o Daudt estava se  formando em  Medicina Veterinária). A dita proposta não incluía naquele período remuneração pecuniária, somente habitação e alimentação. Aí, perguntei para o Alberto, quanto ele ganhava e ele me disse que eram aproximadamente cinco salários mínimos. Fato este, que me desencorajou, pois já tinha o diploma de técnico em contabilidade (1962, no Machado de Assis) e havia uma proposta para ser o batedor de diário do Supermercado Santos, em substituição ao Antonio de Oliveira, em que o Airton Capaverde era o responsável pela contabilidade. No decorrer dos tempos, sempre quando viajava   a Porto Alegre, nos encontrávamos e costumeiramente íamos até o restaurante Mosqueteiro (anexo ao Olímpico). Lá, ficávamos conversando e bebendo chopp. O Alberto era daqueles amigos considerados por mim, de exceção à regra, vez que se importava  comigo ao ponto de seguidamente, me contatar por telefone, para saber como eu estava. Ele tinha uma casa de veraneio na Praia de Oásis, pertinho de Tramandaí. Alberto, tinha também, uma oficina de chapeamento e pintura de veículos automotores, cuja denominação era AlKari e sua sede era  na Avenida Icaraí, ao fim do Jóquei Clube, no sentido centro bairro. O Alberto  era um apaixonado pela sua esposa, a Maria Celeste, tinha um filho, Christian e uma filha, Taiane. Tenho muitas fotos com ele e outros jogadores do Aymoré daquela época e tais fotos estão fazendo parte, juntamente, com outras fotos dos times, inclusive do teu querido Sepé Tiarajú, do Paladino FC, do EC Aliança e outros, em uma galeria que tenho em meu salão de festas, onde estou residindo.
Te afirmo, meu estimado Amigo Alceu Medeiros: a morte do Alberto me deixou muito abalado, meio que alquebrado, meio que curvado, meio que enfraquecido. Porém, quando se recebe de outro estimado amigo, da mesma qualificação, uma mensagem de solidariedade, tal mensagem faz um enorme efeito  e  restabelece a verticalidade, tão necessária numa hora dessas. ”
Transcrito o depoimento do Raul, fui à busca de um pouco da historia do Alberto. Lembro-me muito dele, pois na época eu já acompanhava o futebol, principalmente o Grêmio. Vamos, lá. 
Alberto Silveira foi um grande goleiro. Atuou no Aymoré de São Leopoldo, no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e no América do Rio de Janeiro, nos anos 60 e 70.  As 74 anos de idade, vítima de falência múltipla dos órgãos, em decorrência de um AVC (acidente vascular cerebral), faleceu no dia 16 de novembro de 2012, em Porto Alegre.
Nos
anos 1960, Alberto se destacou no Grêmio, quando  se revezava com Arlindo, outro grande goleiro. Fazia parte de uma das maiores defesas da história do Grêmio, juntos com os laterais Altemir e Ortunho e os zagueiros Airton Pavilhão e Áureo. Alberto chegou a jogar pela Seleção Brasileira.  Atuou como titular num jogo entre Brasil e México, no Mineirão. Foi sete vezes campeão gaúcho pelo Grêmio.  Em 1968, foi considerado o melhor goleiro do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, hoje Campeonato Brasileiro.  Cotado  como possível convocação para a Copa do Mundo de 1970, disputada no México, em 1969, porém, um impasse na renovação do  contrato com o Grêmio, acabou complicando a sua  convocação e sua carreira de goleiro. Não acordado com o Grêmio, foi colocado na "geladeira",  permanecendo sem atuar por mais de um ano. O ex-goleiro participou do clássico Gre-Nal de 1969, nas festividades de inauguração do Estádio Beira-Rio, que ficou famoso, pois apenas Alberto e Dorinho, este do Inter, não foram expulsos.  Depois da “geladeira” foi jogar no América carioca até 1972. Era um goleiro seguro e pegador de pênalti. O titulo desta matéria, por sugestão do João Jayme Araujo, caracteriza bem a história futebolística do amigo Alberto.



Jornal  A SERRA, de Santa Rosa, dia 1 de janeiro de 1963, que relata a história do jogo e a prova de que Alberto participou daquele jogo como arqueiro da Seleção de Santa Rosa. Clique para ampliar e ler a matéria.


Paladino e Grêmio Portoalegrense se defrontaram no Estádio Carlos Denardin em Santa Rosa, no dia 14 de fevereiro de 1965. O Placar foi favorável ao Grêmio: 8 a 1. Alberto participou deste jogo, é o quarto na fila em pé da esquerda para a direita (de uniforme de goleiro de cor escura). Além do goleiro alberto jogavam no Grêmio: Cléo, Osmarino, Volmir, Airton Pavilhão, Sérgio Lopes, Altemir, Babá,  Joãozinho, Alcindo, entre outros.
Fontes: Blog Terceiro Tempo,  Zero Hora/Clicrbs e Jornal  A SERRA

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