sábado, 18 de agosto de 2012

Histórias do Futsal


RIVALIDADE... ÀS VEZES ATÉ DEMAIS!

Transcorria a primeira metade dos anos 80. O futsal ( na época futebol de salão, com suas regras próprias) em Santa Rosa e na região estava em alta. O Juventus, com extraordinário plantel, formado por atletas locais que representava muito bem nossa cidade. Todos, trabalhadores, estudantes, que convocados, praticavam um futebol coletivo, requintado, que encantava o torcedor que lotava as arquibancadas do ginásio municipal. Vale lembrar: Renato, no gol; Babá ala direita, Chico Faco(Zoelher) como fixo e na ala esquerda, ora Chico Tim com seu canhotaco,  e ora Alfredo Moroni com sua técnica apurada; na frente o  extraordinário Adonis, que com seus dribles encantava a todos; ainda tinha Luisinho Giordani(no gol), Kika, César, entre outros... e como técnico, o competente Edgar Massotti.
No que podia, acompanhava os jogos em casa. Relato um episódio que aconteceu aqui e em Horizontina. Lá se destacava um time formado por também pratas da casa, que carregava o nome de Os Insetos. Ambos integravam a mesma chave, pelo campeonato estadual daquele ano. O primeiro duelo aconteceu aqui. O nosso ginásio lotado, com torcedores dos dois lados, a maioria nossos. O juventinho, como era chamado carinhosamente, não jogava mal, mas esbarrava num ferrolho suíço, intransponível, armado pelo técnico adversário, pois, sabia da capacidade do nosso time. Num contra ataque, o frente deles, lembro até o nome,  Vicente, abre o placar, quase no final do jogo e o Juventus não consegue reação e a contenda termina com muitas provocações. Era clássico, e vencer o Juventus aqui, era uma façanha e tanto.
Poucos dias depois, num sábado à noite, foi o jogo na casa dos Insetos, no ginásio Edio Sthol, em Horizontina.  Vários ônibus lotados de torcedores juventinos se deslocaram para lá.  Foi organizado um forte policiamento nas cercanias e dentro do local do jogo, pois, o mesmo prometia. Os torcedores daqui, em bloco, protegidos pela policia, ficaram isolados na arquibancada, sem contato com o restante dos torcedores. Recém iniciado o jogo e os Insetos parte em massa e abre o placar. O ginásio, quase veio abaixo. Histeria total. Aos poucos, nossos meninos foram  acertando na quadra e tomaram conta do jogo. Já no primeiro tempo  encerrava com uma grande virada. Nós estávamos em êxtase. Na casa deles, lotada, e vencendo. Era o máximo. Mal podíamos esperar o que poderia acontecer. Nossos atletas, empurrados pela nossa torcida, continuaram fazendo gols. Não  lembro bem, mas acredito que já estávamos no sexto gol. O tumulto começou. O policiamento estava com dificuldade de conter os irados insetívoros pelo revés determinado por nossos garotos. Antes de terminar o jogo, faltando alguns minutos, o policiamento recolheu nossos torcedores e encaminharam sob sua proteção aos ônibus. Rumamos em comboio, também sob proteção policial em direção a Três de Maio. Nossa surpresa, quando já alguns quilômetros percorridos, de um barranco da estrada, na passagem dos ônibus, pedras espocaram sobre o teto dos coletivos. Prontamente a policia interveio, mas não surpreendeu ninguém. Nas proximidades de Três de Maio, o comboio foi liberado. Já era madrugada quando adentramos  na cidade, pelo Bairro Cruzeiro. Salvos? Ainda não! Numa mistura de alegria e apreensão, discorríamos sobre o jogo e os acontecimentos da noite, quando de repente, não sei como, no transcurso da Avenida Expedicionário Weber, houve um abalroamento entre os ônibus e mais alguns veículos do comboio. Foi tudo muito de repente. Houve alguns feridos, mas pouca coisa. Lembro que, quando do choque bati meu pescoço na guarda do banco a minha frente. Sem gravidade. Ficamos por um bom tempo parado. Fomos alcançados pela delegação dos atletas. Como a liberação dos veículos estava demorada, partimos, com mais dois amigos, a pé, pois, já era madrugada, quase de manha, até a Praça Independência, ponto de partida da excursão e onde estava estacionado nosso veículo. Foi uma noite inesquecível, de alegria e muita apreensão, mas que valeu pela experiência e dela tomar as lições. Foi o único jogo do Juventus que assisti jogando na casa do adversário. Foi uma experiência e tanto. Mas valeu...

Adônis - atleta do Juventus que fez história no futsal gaúcho
(Foto Jornal Noroeste)

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