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quarta-feira, maio 22, 2013

Por onde anda!


                     Antonio Carlos Sfoggia Nunes



Nasci em Santa Maria/RS. Sou  filho de Paulo de Souza Nunes e Libera Itália Sfoggia Nunes. De infância meu apelido era "Maninho", e em Santa Rosa "Muquica". Sou casado com Sueli Manjabosco Nunes, de Santa Rosa, temos 03 (três) filhos (01 homem, 02 mulheres) com 04 (quatro) netos, sendo 03 (três mulheres e 01 homem) idades: 22, 18, 09 e 07, respectivamente.  Formado em Direito

Minha infância, desde quatro anos de idade,  foi em Porto Alegre, na Rua Pelotas com São Carlos, no Bairro Floresta, até o meu ingresso no Banco do Brasil em Santa Rosa em 1959. Tenho  saudade daquela época, com muitos amigos, alguns dos quais, ainda me encontro. Muitas brincadeiras, festas e bailes. Na época, fogueiras de São João, festas de igreja, etc., futebol no meio da rua.
Iniciei jogando campeonato bancário de futebol de campo e salão, pelo antigo Sulbanco e em Santa Rosa, pelo Bancário e Paladino, onde me sagrei campeão em 1962. (Foto abaixo com o Paladino).

                       https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjA641leJ9xcDa5d8IDput2982gwlj_X-syVS_V0hXKpOfvJgyP9cJk3g42JTMFLEq4MdXrIt750G1pGIbYSZfnc6m5mGReQaYmw98TPDRx_GN-Qn24bIYSXYyQoM82APD8oUYjxNmo2Yb6/s320/Paladino+62.jpg

Neste ano, retornei para Porto Alegre e passei a jogar o campeonato bancário da cidade, pela AABB. Na década de 60, a  então Caixa Econômica Estadual e a Federal, contrataram ex-jogadores profissionais para compor sua equipe. Na oportunidade cheguei a marcar o Juarez (tanque do Olímpico) que jogava pela Cefer. Com 17 anos, joguei um campeonato nacional de voleibol, pela seleção gaúcha, certame  realizado em Salvador Bahia. No meu retorno, passei também a jogar voleibol pelo clube União de Porto Alegre.

Sou "gremista" desde a minha tenra idade. Na  fase de crescimento, assisti o famoso "Rolo Compressor" nem por isso mudei de time!!!

Fui funcionário do Banco do Brasil durante 30 anos, onde me aposentei. Hoje estou aposentado total, inclusive da advocacia.
Todas as terças e quintas feiras, vou para a AABB, onde ainda jogo meu futebol society com colegas aposentados. Anualmente, temos um campeonato  nacional de aposentados do BB, de diversas modalidades, com maior ênfase no futebol sete. O chamado nacional é em abril e um "mini" de São Paulo para baixo, no mês de novembro. Dada a idade avançada dos atletas e que querem continuar jogando, hoje existem 03 (três) categorias: master, super master e agora o hiper (acima de 65 anos), sendo que somente aposentados podem participar. É sempre um "mega" evento. Nunca tive motivação para treinador.

Atualmente, somente aposentado, praticando esporte, como acima mencionado e fazendo turismo interno e exterior.

Com a colaboração de João Jayme Araujo, voltamos a apresentar Por Onde Anda! , dando continuidade no resgate histórico de atletas que fizeram historia no futebol de Santa Rosa.

domingo, fevereiro 26, 2012

Fatos e Fotos Antigas

jjgaucho23@hotmail.com

PARTE VI

1 - PEDRA PRECIOSA DE SOLEDADE


Time de Sargentos do 1º Regimento de Cavalaria Motorizado. De pé, da esquerda para a direita: Subtenente Arnaldo d Oliveira Pedrês (treinador), (.....), Schulz, ARNO (Bergamota), Viriato. Neri e Juarez. Agachados: (...),, Pidd., Bogado, Jayme e Dari


Arno Gomes Pedroso – Bergamota – não me pergunte por que, veio de Soledade, cursar o

Ginásio e ficou hospedado na residência de um tio, AQUILINO GOMES PEDROSO, dos primeiros donos de farmácia na nossa terra.

Quando atingiu a idade de prestar o serviço militar, lá se foi ele, para a caserna, de onde só sairia ao ser transferido para a Reserva.

Nesse ínterim, atuou como zagueiro do Juventus.

Fomos jogar em Três de Maio, onde em raríssimas vezes não fechava o pau.

Quanto entrávamos no local do encontro, ofereceram-lhe um “buqueméquer” - assim se dizia e opinou um escore estapafúrdio, por gozação. Acertou, na mosca e sozinho.

Jamais recebeu o bolão porque não havia condições de segurança para se afastar de seus

companheiros, já que todos abandonaram o “local da pugna” protegidos pela Policia e pelo

Adroalodo Liberali com seu inseparável revólver. (Arno Gomes Pedroso)


2 - ONUS DE FUNÇÃO NA JUSTIÇA


Quando a festa dos Navegantes era acompanhada de barco pelo rio Guaíba, o vereador Zanella, levou a mãe dele, dona Lina, na mesma embarcação em que iam o governador Simon,o prefeito Collares, e outras autoridades, entre elas.... o deputado Carlos Araujo.
Dona Lina, que também era Araujo, mas de Três Passos, do distrito de Feijão Miúdo,queria saber se o deputado Carlos Araújo tinha algum parentesco com ela.
- Não, não, acho que não temos nenhum parentesco...

- Mas o senhor deve conhecer os meus filhos, o vereador Zanella...

- Ah. O vereador Zanella, eu conheço.

- E os outros, o Nelson, o Renato...

- Não, não conheço.

- Ah, mas tem um da minha família a que o senhor deve conhecer. Ele é muito famoso, é o Major João Jayme Araújo, promotor militar do Estado.
- Sim, este eu conheço, foi quem me condenou na justiça militar.

- Não pode ser o Jayme é tão bonzinho...

- Pois é, mas condenou....

- Mas o senhor fez o quê?
- Expropriei algumas coisas...

Dona Lina saiu pro lado e falou:
- Eu sabia que alguma coisa ele deveria ter feito, porque o João Jayme é tão bonzinho.... (Do blog do jornalista Olides Canton)


3 - AINDA A TIA LINA

A Tia Lina, que como se disse acompanhava acontecimentos políticos.

Ferrenha do antigo

PSD, PDS, ARENA e congêneres. Tinha facilidade louca de se enturmar.

Gostava de um papo, por demais. Acercou-se de um político e passou contar de sua vida.

Pois é: - Eu e Luiz (Zanella) moramos em Santa Rosa, onde nos casamos. Ele era exator estadual e por isso, residimos, além de Santa Rosa, em Quarai, onde nasceu ATHUR PAULO ARAUJO ZANELLA e, ao fim da vida como toda a filharada na capital, nos mudamos para cá e compramos uma fração de terras em Guaíba, onde plantávamos para nossa subsistência e para abastecer os da capital.

_ Quantos filhos, dona Lina?

Duas gurias, Maria Elizabeth e Vera.

Mais LUIZ CARLOS, NELSON, RAUL MARIO, RENATO, ARTHUR e KIDE.

- Todos vivos? –

VIVO? - só um o ARTHUR que enveredou para a política.

Os outros são: - bacharel, médico, engenheiros e serventuário da justiça.

VIVO mesmo só o Arthur!



4 -
COM O INIMIGO NA TRINCHEIRA

Era característica dos gaúchos que quando seus filhos já estivessem com determinada idade os mandavam- “à la cria”.

Meu tio Luiz Zanella, a pretexto de os filhos não esquecerem a terra nem a proximidade com tios e primos,, determinava que viessem visitar os parentes na terrinha.

Qual o guri brasileiro que não tem alguma intimidade com a bola e não seja adepto do futebol?

Com meus primos acontecia o mesmo. Todos ou quase atuaram pelo 14 de Julho, no Itaqui, onde moravam.

Ficavam, aqui, separados, cada um parando na casa de determinado tio.

Um deles RENATO, que atuou como Juvenil do Grêmio hospedou-se na casa do tio Zeferino Soares – o seu Zifa.

Ocorre que jogou pelo Juventus, no segundo time, numa partida de igual categoria contra o Paladino que tinha como goleiro o Julio Mussi de Andrade.

Fez um gol e a flauta correu solta.

À noite, num baile ou reunião dançante não apanhou do Julio e seus amigos, por muito pouco.

Seu Zifa, ficou sabendo das ocorrências.

Chamou Renato e o admoestou: - Estou ciente do acontecido ontem.

Sabes que eu criei o slogan “quem não é do Paladino é contra o Paladino”?

Pois muito a contragosto te digo.

Aqui não ficas mais. Procure a casa de outro tio.

Não admitia inimigo na trincheira.


5 - A RESSURREIÇÃO DO ZAGUEIRO


Um amigo meu, ARISTEU PENALVO, do Itaqui, foi jogador do Renner, pelo qual sagrou campeão em 1954.

Por essas coisas da vida a gente parou de se encontrar, como o fazíamos. no centro da cidade..

Num certo dia um jornal da capital publicou um convite para o enterro de ARISTEU PENALVO.

Nas minhas orações à noite, tenho habito de pedir pelos falecidos. Passei a rezar pelo ARISTEU. Uma tarde, estava eu no setor de frutas de um supermercado quando avisto o meu amigo, gordo e são de lombo.

Assustei-me.

Coincidentemente lá se encontrava um amigo comum, MARÇAL EUTIQUIANO DAVID. Dirigi-me e esse e perguntei: - Marçal! O Aristeu não morreu? Li o anuncio fúnebre. O amigo tranqüilizou-me.

Quem havia morrido era o pai do atleta do Renner e os dois levavam o mesmo nome.

Dirigi-me até à assombração, contei-lhe a historia e demos gostosas gargalhadas. Felizmente, ainda está vivo.


6 - CARPIM

Os juízes de direito que aportavam na nossa terra não tinham as mesmas características.

Uns sisudos da turma dos que “não basta ser Juiz de Direito; há que mostrar que o é.

Um que aderiu aos usos e costumes locais chamava-se Dr. Oscar Cardoso Kramer. Tanto que, depois de removido, vinha seguido a Santa Rosa, para participar de pescarias, comandado por Avelino Lavarda.

Desempenhou o Dr. Kramer, a função de técnico da seleção local contra o Grêmio Porto Alegrense.

Tinha duas filhas e um filho este, LUIZ CARLOS KRAMER.

Chegado aqui ainda menino, iniciou-se em “peladas” no time do Palmeirinha cujo dono, treinador, patrocinador das camisetas e do apito, era Carlos Fernando Westphalen dos Santos.

Avelino Lavarda, cartola do Paladino, cuja loja ficava ao lado do “campo” viu em CARPIM, - esse o seu apelido, - qualidades e o convidou para jogar no 2º time.

Atuou, dentre outros, com Lotário, Joel, Luiz Capellari e Walter Wienandts. Se, aprendeu a jogar não sei.

Sei que escreveu: - “Tempo dourado da minha vida que jamais esquecerei.”

Nesta Santa Rosa querida a quem devo um pouco da minha formação, lá encontrei a mais

pura amizade, o companheirismo sadio, o caráter, a integridade, a dignidade humana. Grande parte de minha formação, dedico ao esporte – amador da época – lá onde encontramos a disciplina, a ordem, a hierarquia, a honra o respeito e formamos amigos. O porquê do apelido de CARPIM, ignoro até hoje.


7 - VAI ORMIRIO!

Por laços de família conheci e fui grande amigo de SALVADOR PINHEIRO MACHADO, o tio

NANÁ. Gaúcho autêntico, criado nas lides de campo e doente por dias de MARCAÇÃO. Tinha

cavalo, apêros e toda a indumentária própria;

Fanático por esporte principalmente o futebol, metido à craque, orgulhava-se de ter jogado

no Aimoré de Giruá e no Roque de São Luiz Gonzaga.

Torcedor doente e cartola do Grêmio Santo-angelense.

Praticava com assiduidade o tênis em quadra que havia na praça junto à Rodoviária de Santo Ângelo.

Como ecônomo do Cube 28 de Maio, incentivava a piasada, alguns de casa, a pratica do

futebol de salão no Ginásio de Esportes.

Programou-se uma corrida de rua e ele inscreveu um dos seus pupilos ORMIRIO para disputá-la e determinou que RATO, o acompanhasse nos treinamentos.

Todas as manhãs eles corriam como preparativo.

Chegou o dia da competição.

Na largada ORMIRIO saiu bem. Rato o acompanhava incentivando: - Vamos ORMIRIO. Corre ORMIRIO. Já tâmo chegando, ORMIRIO, Força ORMIRIO.

Na linha de chegado Rato estava à frente do ORMIRIO cumprimentando-o.

NANÁ mesmo faceiro jamais se perdoou por escolher o parelheiro errado.

8 – CONCENTRAÇÃO EM IJUI

O Paladino tinha uma partida encardida contra o GAUCHO de Ijui, por uma das categorias da Federação Gaúcha de Futebol.

Visando mais sentido de grupo e de foco para a importante pugna a Diretoria decidiu viajar no Sábado visando também os efeitos da longa viagem. No Sábado a noite, alguns dirigentes ficaram no hotel onde estavam hospedados, até cerca de 22,00 horas.

Dada a ordem de recolher os atletas dirigiram-se aos quartos respectivos enquanto os cartolas saíram a dar uma volta.

Quando regressaram, em torno de meia-noite, constatou-se que vários jogadores não estavam em suas camas e nem no hotel.

Procura daqui, procura dalí,

Como conheciam as feras, foram à procura delas na chamada zona do meretrício.

A farra estava a mil e as mesas recheadas de loiras, além das loiras e morenas da casa.

Com a chegada dos dirigentes foram acertadas suas contas e loucos de vergonha voltaram para o hotel.

No dia seguinte, na partida tomaram ligeirinho 5 gols.

E a goleada não foi maior porque o Gaúcho se acomodou,,se satisfez com o placar.

CAIEIRA o técnico da equipe, a uma pergunta de repórteres justificou:

- Craro.

Se mandarem pro chinaredo, tomaram todas se ANTECEDENDO NA BEBIDA!

Foi só esse o motivo da goleada.

SE ANTECEDERAM NA BEBIDA.

(Juarez Assis dos Santos)

9 - FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO

Em reunião ordinária da Liga Santa-rosense de Futebol, a mesa era dirigida pelo Paulo Heitor Fernandes, seu presidente.

Presente o sargento Juarez Assis dos Santos, pela Associação dos Árbitros e os clubes devidamente representados por seus prepostos.

Nessa condição estava também o treinador ... o CAIEIRA.

Este deixou muitas historias, mas não era analfabeto de pai e mãe, como muitos supunham. Superada a ordem do dia, o PHF, tentando deixar o Caieira numa enorme enrascada, pediu a ele que lesse uma correspondência ainda fechada oriunda da Federação Riograndense de Futebol. Foi-lhe alcançado o oficio ainda no envelope.

Caieira tomou nas mãos, deu uma olhada em um lado e de outro e saiu-se com esta:

_ Óia, Dr. Paulo Heitor. Eu me sinto faceiro pelo seu gesto. Vi que se trata de uma correspondência vinda da capital. Talvez eu não saiba ler direito o que tá escrito.

Como nossa reunião está cheia de advogados peço que o senhor solicite a um deles que proceda a leitura!:..(Juarez Assis dos Santos)



10 - MEDALHADOS

SARGENTOS JUAREZ ASSIS DOS SANTOS E ALMIRO PYDD

Segundo penso, é nas Forças Armadas o lugar onde se tem maiores oportunidades de conseguir uma medalha em competições esportivas. Fácil de explicar.

Como a Educação Física é um dos pilares da caserna, havendo competições durante o ano todo os melhores são medalhados, presumivelmente em todos.

Na minha carreira militar durante 04 anos em Santa Rosa, no Regimento, sabia-se de cor e salteado quem seria os felizardos.

Levando-se em consideração que nem todos os militares são bons em todas as provas, há, como em qualquer atividade humana os que praticam mais de um esporte: outros não.

Há os que são bons em esportes coletivos e também são atletas destacados..

Tal ocorreu-me ao ver uma foto de dois grandes colegas meus. Almiro Pydd,,atleta na mais ampla acepção da palavra, pois destacava-se em basquete, vôlei, futebol e determinadas provas atléticas. Jogou como goleiro no Montese.

Outro Juarez Assis dos Santos que só praticava futebol, futebol de salão – Paladino e Montese -e que pra se incomodar optou, em determinada oportunidade, ser juiz de futebol.

Hoje, Juarez, olhando a foto que “descobri” não pousaria ao lado do nosso colega.

Um parece um General com tanta condecoração.

O outro como se fora um conscrito que amealhara medalhas em todas as competições de que participasse pelo período de um ano, no serviço militar obrigatório.

(Histórias contadas por João Jayme Araújo)

domingo, novembro 27, 2011

Fatos e Fotos Antigas

PARTE XIV

1 – SUNGA ELÁSTICA NA MODA

Assim como hoje os jogadores e atletas usam uma vestimenta de elástico que, não raras vezes, se nota ou aparecem sobre as coxas, no passado existiu uma sunga elástica.

À moda de cuecas que hoje usamos, tinham o mesmo formato, mas, maiores,na parte superior aparecendo por cima do calção caso se quisesse.

Sergio Moacir goleiro do Grêmio na época, fez com que aparecessem dobradas em cima dos calções na altura do umbigo, como charme. Daí para encontrar seguidores foi pra já.

(O Paulinho Araujo, um dos que aderiram ao modelito, vestiu assim. Observem, nas foto dele,na parte superior dos calções.

2 – MATO DO LIBÂNO

Ainda antes de ser conhecido como campo do Pessegueiro, no local se praticava o futebol.

Houve um garoto que acompanhado o pai, lá esteve para assistirem uma partida.

Na época não existiam nem se falava em instalações sanitárias.

Esse guri, sentindo-se necessitado rogou ao pai: - o que eu faço?

O pai com um sorriso nos lábios, disse-lhe: - vai por aí.

Toda a vez que surgia um “aperto” - em casa - a situação era recordada:

vai, correndo, pra o mato do Libâno.

3 – NENÊ CANHA

Atuou por aqui, Santo Ângelo, e Três de Maio, um bom meia cancha, que tinha, por motivos óbvios, o apelido de Nenê Canha. Na capital missioneira, jogara com LAMBARI, no Tamoio.

Saindo da terra, LAMBARI jogou em Rio Grande, de onde se transferiu para o Internacional. No colorado, foi autor do primeiro gol do Inter contra o Corinthians, em São Paulo, sendo, por isso, a chuteira que usara para tal, selecionada como um troféu e lá está para quem quiser ver no Museu do clube.

Estando em Porto Alegre Nenê Canha foi aos Eucaliptos, ver se arranjava uma grana com seu ex-colega. Encontrei-o nas cercanias do Estádio, deitado ao chão, já em estado etílico. Reconheceu-me e depois de pedir algo, destratou ao Lambari, dizendo: esse fdp, negou-se a me socorrer não reconhecendo que comigo aprendeu a jogar futebol!

4– CENTROVANTE

Para ser fiel com a historia e relembrar os centroavantes na nossa fase, nos principais times, éramos três: Pinicilina, no Aliança, Charles Jonner no Paladino e este modesto escriba, no Juventus.

Sobre Pinicilina, sentenciou o premio Esso de Reportagem, nosso conterrâneo Carlos Kolecza: “Nos presenteou um futebol mais inteligente e bonito ainda vivo em nossas memórias.”

Charles dono de um pé direito muito potente e velocista nato, artilheiro de respeito..

Eu jogava pouco, mas me colocava bem na área assim marcando gols. Já em Porto Alegre, poucos anos atrás, fui interrompido por um cidadão – Sr.TRIPLER, que me perguntou: tu não és o Jayme?

Diante da minha confirmação disse ter acompanhado minha carreira esportiva, como morador em Três de Maio e torcedor do Oriental e que eu fora o melhor centroavante que ele vira jogar.

Meu ego subiu às alturas. Agora, sem falsa modéstia, revelo esse segredo. Que vale ficar numa ilha a sós com a Angelina Jolie e não poder contar! Os segredos devem ser guardados, até por ai!

5 – SETE DE SETEMBRO

Em Cruzeiro, o primeiro clube de futebol que recordo foi o 7 de Setembro. O campo, todo de terra.

Situado num terreno, ou praça na frente do Clube do mesmo nome, que tinha como destaques um salão de baile, canchas de bolão e um palco para apresentações artísticas.

Nessa época, a equipe era integrada por guris do distrito, dentre os quais, WALNIR DEON, JOÃO GIRARDI, BELTRAME e os primos MINUCI

Jogávamos uma partida amistosa e eu sempre de centroavante. Alguém cruzou uma bola da direita, o goleiro se passou, ela já estava entrando quando o famoso Center-forward cabeceou para confirmar o gol, mas, com muita falta de inspiração ou com total imperícia cabeceou-a para fora

Teve de voltar a pé, pelo caminho dos trens da Viação Férrea, nunca mais ser convidado para lá ir jogar e, por vir pelos trilhos, perdeu o TODA E HORA e aprendeu o ditado: “quem procura atalho, procura trabalho”

6 – VILA DOS TAQUARIANOS

Quando jovens nada era empecilho para alcançarmos a felicidade de jogar futebol, mesmo que para isso tivéssemos de andar por quilômetros e mais quilômetros.

Assim íamos a pé até o Quilômetro 3 ou Vila dos Taquarianos, na estrada para Tuparendi, passando por Cruzeiro.

A denominação deve-se, talvez, pela colonização ter sido feita por pessoas vindas da cidade de Taquara.

Íamos a pé, seguindo pela Vila Flores, em direção ao Norte. Lá chegados jogávamos com os nativos, num campo de futebol, grande, de dimensões oficiais, mas todo de terra,nada de grama.

Terminada a refega vínhamos pelo mesmo atalho para encurtar distancias, cansados pelo jogo e pela caminhada. Porém, no gozo da felicidade... Éramos felizes e ainda não sabíamos!

7 – TAQUARIANOS

Originários da Vila do mesmo nome, pelos menos dois Taquarianos, fizeram historia no futebol da cidade.

Adãozinho apareceu em Cruzeiro e atuou, inicialmente, pelo Juventus. Por motivos ignorados – talvez problemas de deslocamentos – tanto aparecia como desaparecia. Ressurgiu depois, no Paladino, e deve ter encerrado a carreira no Aliança ou no Juventude. Avante todo desengonçado, corria como se viesse aos trambolhões, mas, normalmente comparecia no placar, como se diz hoje.

Eloy fez parte de uma onda de renovação no Aliança quando tal aconteceu no elenco. Atuava pela ponta direita. Foi campeão estadual.

Hoje, como fiscal fazendário, aposentado, vive em Tucunduva e trocou o futebol pela pescaria. Deve ser daqueles que têm muita historia para contar!

8 – COMUNISTA ESCREVE EM MURO

Lá pela década de 50, chegou a Santa Rosa, para servir no 1º Regimento de Cavalaria Motorizado, o Sargento Amandio Bogado.

Nascido se não me engano no Estado do Mato Grosso, tinha o sotaque inconfundível dos de fora do estado.

Já casca grossa, como se diz na linguagem de caserna, aparece assim, de repente jogando futebol pela ponta direita do Aliança.

Era exímio nas bolas levantadas para a área, onde o Penicilina, com a sua destacada categoria, estava a postos para mandar para as redes.

Foi a antevisão das cruzadas do Waldomiro para os gols do Dadá Maravilha.

Ao guri do interior pouco versado em política internacional, sempre chamou atenção um adágio que dizia e repetia constantemente: “Comunista escreve em muro”.

Despreza dos prováveis avanços conquistados pelos bolcheviques!

9 – 3º SARGENTO BIRCKE

O João Carlos Bircke e eu, incorporamos às fileiras do Exército, como se dizia, no mesmo ano.

Precedeu-nos, um ano antes o Carlinhos Oliveira. Fizemos os três o curso de Sargento, juntos. Alcançamos, possivelmente, as mesmas notas.

Havia no quartel, duas vagas a serem preenchidas. A primeira foi do Carlinhos, pela precedência. A segunda, do escriba, por já possuir o curso de técnico em contabilidade.

Mesmo na perspectiva de ser promovido logo adiante, João Carlos Bircke, optou por dar baixa.

Foi trabalhar no Banco Agrícola Mercantil. Talvez, para ele tenha sido melhor.

Ingressou, depois, por concurso, no Banco do Brasil, tendo exercido funções importantes até no Banco Central em Brasília onde trabalhou com NESTOR JOST.

Hoje, aposentado, vive feliz com a família, provando espumantes, – SALTON – na cidade de Bento Gonçalves.

10 – MOTO A TITULO DE LUVAS

Já rasguei elogios para ALCEU AMBROS MALMANN, que morando em Santa Rosa para estudar, porque era de Tuparendi, hospedava-se, no HOTEL LIBERALI, local onde o Juventus foi fundado, pois aí se hospedava, também, o. Prof. ALBINO WERLANG, que foi o mentor intelectual da criação do clube.

Jogou no Juventus até que, graças às suas indesmentidas qualidades como atleta, foi sondado pelo presidente do Aliança, FRANCISO JOSÉ BERTA para defender as cores do tricolor.

Na mesma ocasião que o DECIO e o NIQUE, foram contratados por uma geladeira. No acordo ALCEU pediu e recebeu uma moto.

Os irmãos ZOEHLER, logo foram descobertos, sendo apelidados de geladeira, enquanto ALCEU flanava de Tuparendi para Santa Rosa e vice-versa, pilotando a moto, que, deveria ser o ultimo lançamento da HARLEY DAVIDSON ou da SUZUKI!

quarta-feira, novembro 09, 2011

Fatos e Fotos Antigas Parte XIII

PARTE XIII

1 – PSICOLOGIA E MALANDRAGEM DE TREINADOR

Prof. Paulo Araujo, que foi técnico do Juventus, Paladino, Aliança. Juventude, Sepé e ASRE.

Quando treinador do Paladino, contava em circunstancias especiais, com um atleta de Crissiumal.

Numa semana de partida importante, o jogador centro avante – talvez o melhor da equipe – de um momento pra outro apareceu manquitolando, com o evidente propósito de amorcegar, quiçá, para levar algo “por fora” de um dirigente. Notando a evidente malandragem, o treinador não se abateu. Mandou chamar o jogador de Crissiumal.

Este passou alguns dias em treinamento e foi escalado para integrar o onze. O “contundido” sabendo ser ele o melhor da equipe, quando se assegurou junto ao treinador que não jogaria, surpreendentemente ficou curado. Mesmo contra a opinião dos cartolas, o técnico manteve sua palavra. Deixou-o na reserva.

No intervalo do primeiro tempo o atleta insistia em jogar. No meio da etapa complementar, como o marcador se mantivesse mudo o treinador olhou para o atleta e disse-lhe:

Vá lá. Jogue! Ganhe o jogo. Em caso contrário não mais atuarás comigo. E nem em Santa Rosa.

O atleta, agora obediente, temeroso entrou em campo comeu a bola, fez o gol da vitória. Para se ter sucesso na vida, às vezes, é necessário, pôr as coisas em seus devidos lugares.


2 – PUXÕES DE ORELHAS



Devido à superioridade do time por ele treinado, notou que seus jogadores já não tinham o mesmo interesse, o mesmo empenho nas ultimas partidas. Pensou, pensou como poderia motivá-los para que parassem de fazer corpo mole.

No momento da preleção, sentou-se junto a eles. Ficou fitando-os sem dirigir-lhes nenhuma palavra.

Instaurou-se, então aquela cena famosa da briga entre o gato e o rato.

Passados minutos, dirigiu-se aos seus pupilos assim: - eu ainda não escalei a equipe. Quem se considera destacado titular absoluto e pensa que por isso não precisa se empenhar alcance sua camiseta para os reservas. Eles, por certo irão dar a vida pela vitória.

Todos esses vestiram as respectivas camisas, jogaram, fizeram tanta força, como se estivessem em testes. E o resultado não se fez esperar.


3 – DESCOBERTA DO CENTROAVANTE



Treinando o Aliança, certificou-se que seu time não tinha um centro avante decisivo e que soubesse cabecear.

Dentre os atletas de seu elenco havia um, já veterano. Bom cabeceador, mas, sempre jogara na zaga.

O técnico dirigiu-se a ele e disse: preciso de alguém que saiba cabecear para ganharmos esse jogo. Topas quebrar-me o galho atuando de centro avante, com essa missão?

Com a aquiescência dele, escalou-o e determinou a seus dois ponteiros que cruzassem a bola para a área, toda vez que isso fosse possível.

O veterano cumpriu sua missão com brilho, tendo, inclusive marcado o gol da vitória.

4 – DOMINIO DA MEIA CANCHA

Enfrentou um time que tinha, na meia-cancha, só craques. Os conhecia bem, vez que fora treinador deles.

Determinou a seus atletas que só jogassem pelas laterais, impedindo que a bola passasse por este setor de campo do adversário.

Os jogadores cumpriram com o que lhes tinha sido orientado.

Terminada a partida um dos atletas adversários, que praticamente não viu a bola, perguntou: - como é que a pelota nunca chegava ao nosso meio campo, Prof.Paulo? Simples, pra vocês não jogarem e não se adonarem da partida a única maneira era fazer com que a bola não chegasse na meia cancha, jogando sempre pelas laterais!.


5– GREMIO SANTA-ROSENSE


Equipe do Grêmio Santa-rosense Campeão da Copa do Imigrante em 1973.

Tendo assistido alguns jogos desta categoria, em campanha por Santa Rosa, foi procurado por um dirigente gremista, para dirigir o time num jogo de decisão.

Não querendo envolver-se diretamente e tendo constatado que os seus adversários tinham por atividades no quartel, no condicionamento físico, seu ponto alto, na preleção, enfatizou este detalhe, ressaltando que para vencê-los, era tentar prender a bola, o máximo possível.

Evitavam, assim, um desgaste que eles impunham, com a intensa movimentação. Palavras textuais: “só existe uma bola em jogo, vamos tentar mantê-la em nosso poder, sem chutá-la a esmo, para a frente, objetivando os contra-ataques.”.

Tal foi cumprido à risca.

Não entrando na correria do adversário, o Grêmio venceu surpreendentemente o time favorito, provocando uma festa de enormes proporções na cidade.

(Paulo Zenni Araujo)


6– A SUPERSTIÇÃO.

Jogava-se um clássico em Santa Rosa. E, como em todos os lugares, estes confrontos, provocam as mais surpreendentes reações, envolvem dirigentes, torcedores, enfim, vale tudo que foge a normalidade.

Uma hora antes do jogo, chegávamos ao estádio municipal. Quando entramos no vestiário, nos deparamos com algo pouco comum no seu ambiente.

Atrás da porta estava um copo de água, uma vela acesa e um ramo de espada de São Jorge.

Pude perceber uma série de reações dos jogadores diante do fato.

Começaram a se fardar, alguns recebendo massagens, outros ocupados no rotineiro. Quando estavam todos prontos, esperando pelas orientações finais, fiz somente uma observação: “Já nos preparamos durante a semana, o que tinha de ser feito já se fez, mas, agora eu quero mais um pouco da atenção de vocês.

Eu não quero e nunca interferi nas crenças religiosas de ninguém mas, eu vou tomar uma iniciativa, vou jogar este copo de água fora e, com ele o ramos de espada de São Jorge e também vou apagar esta vela.

Se eu acreditasse nisto, e não no futebol de vocês, e no meu trabalho como treinador eu não estaria aqui, rasgaria o meu diploma e ficava em casa.

“Vão lá e ganhem o jogo pela competência de todos”.

Não deu outra. Ganhamos e o ritual foi esquecido.

(Paulo Zenni Araujo)


7– CAMPINHO DA VILA MILITAR

Orly Brito Vieira e Ivon Brito Vieira

Ali, onde penso, que ainda se encontre a Vila Militar dos Oficias, havia um terreno baldio que era “habitat” de perdizes.

Íamos, na infância, treinar os cachorros perdigueiros juntamente com meu pai para conhecerem e sentirem o cheiro da ave.

Com a chegada do progresso e da habitabilidade da Vila, as perdizes se foram embora. Ficou, ali, abandonada, uma boa réstia de grama.

Para o local tornar-se um campinho de futebol foi um pulo. A ORLY e IVON BRITO VIERA, filhos do Cap. SALDANHA, logo se enturmaram Paulo, Jayme e Ruy, que moravam próximo, para lá acorriam em todos os momentos de folga.

8 – JUNIOR’S ATLAS

Houve, em Santa Rosa, um time de futebol de salão, que ficou famoso pelos resultados conseguidos aqui e nas redondezas, o ATLAS.

Fazia parte da equipe um dos irmãos de uma grande família, cujos “estrangeiros” vinham à cidade, visitar seus pais, no período de férias.

Travou-se uma discussão entre os que aqui não residiam e os da cidade que culminou num desafio para uma partida a fim de provar quem era o melhor.

Os porto-alegrenses enxertados de familiares da terra, sendo goleiro um gurizinho, lograram um empate de três a três no tempo normal.

Os locais desafiaram para uma prorrogação. Aceita esta e, mais uma, as partidas terminaram em quatro a quatro e, depois, em cinco a cinco.

Os cobras do JUNIOR!S ATLAS, rogaram por mais um acréscimo de tempo.

Nós, contestamos. Só queríamos provar que vocês não são tão bons quanto se alardeia. Esperem pelo próximo ano!

Nosso time? Alemão, Jayme, Paulo, Mauro e João Carlos Macluf.


9 – FLÁVIO E CÍCERO


O Dr. Vicente Cardoso a quem a cidade tanto deve junto com dona TIDA, tiveram dois filhos homens. Um Flávio, oficial do Exército e, como tantos, só vinha a terra em tempos de férias.

Quando aqui estava integrou por várias vezes a equipe do Paladino, como goleiro.

Tinha o rosto todo marcado e diziam isto se devia, ao arrojo, uma vez que, uma de suas características, era jogar-se nos pés dos atacantes adversários, machucando a “cara”, não raramente.

Cícero, o mais novo, exemplando-se no irmão, também seguiu a carreira militar, tendo mesmo, no desempenho de suas funções, servido no IRAQUE.

Como goleiro, apenas o vi jogar no segundo time do Ginásio, pois, com ele atuei.

Deve ter tido destaque, também, nos times de oficiais do Exército nos quais atuou.

10 – CHUTEIRAS


As primeiras chuteiras – que os castelhanos chamam fobas – das quais se teve conhecimento na terra eram de cor branca, com o bico em couro escuro e com madeira na ponta para se fazer gol “de bico”.

Perduraram por muito tempo.

O comercio desses sapatos era incipiente e corria-se a fazer encomendas para seleiros e sapateiros para que as confeccionassem.

As traves delas chamavam-se garradeiras e às vezes tinham o formato redondo que iam até o solado e eram presas por pregos de sapateiro, às vezes salientes.

Havia, porém, os mal intencionados que mandavam fazer as agarradeiras de aço.

Em caso de uma perna atingida era corte na certa, mesmo porque, raramente se usava caneleiras.

Era quando entravam em ação os massagistas com curativos de iodo- que ardia como o inferno – ou mercúrio cromo, que deixava a pele com cor de sangue.

Mesmo as tornozeleiras vieram depois e usadas por cima das meias, para serem exibidas com destaque...