quarta-feira, janeiro 13, 2016

Artigo


Por: Ezequiel Redin(*)




Nas últimas duas décadas, o processo de modernização rural tem se expandido e consolidado, o núcleo familiar tem reduzido e o futebol de campo no rural suprimido. Boas lembranças dos consolidados times de futebol amadores formados nas localidades rurais. Equipes expressivas cunhavam o nome da localidade rural, marca estampada na camiseta de sua equipe de futebol. Gloriosos tempos em que jogadores da comunidade elaboravam jogados de alto nível técnico, armavam estratégias táticas para desarmar o adversário, faziam belas pinturas de gol nos campos rurais. Épocas em que um chute torto na bola poderia lançá-la para o famoso “mato”.  gíria: “bola pro mato que o jogo é de campeonato”, quiçá, deve ter origem dos campos de futebol no rural. Equipe A e Equipe B jogavam amistosos, torneios, campeonatos municipais, disputavam taças em jogos de alto nível técnico e também de alto vigor físico. A força do futebol rural culminou a tal ponto que o seu auge foram os Campeonatos Municipais de Futebol de Campo (Varzeanos), anteriormente disputados apenas na cidade, no decorrer da década de 90 foram distribuídos nos campos das localidades rurais, de suas respectivas equipes participantes. Fator que endossou a socialização no rural, fortaleceu a rede de relações interpessoais, dinamizou as sociedades e organizou verdadeiros tours esportivos entre as comunidades. O domingo era dia abençoado. Dia de ir à igreja pela manhã e dia de ir para o jogo de futebol pela tarde – duas missões sagradas. Os campos eram rodeados de torcedores que chegavam nas mais diversas formas: a pé, a cavalo, de bicicleta, de carro ou de caminhão. Geralmente, o time adversário e sua torcida deslocavam-se em caminhões lotados, os mesmos que transportavam soja. No local do jogo existia um galpão (estilo cabana), ponto de comercialização das bebidas (cerveja, refrigerantes e cachaças), das guloseimas (chicletes, balas, pipocas, merendinhas), dos lanches (cachorro-quente e pastel) e outras delicias de final de semana para o público presente. A torcida se acomodava atrás das goleiras, nas laterais do campo e, em geral, embaixo de árvores ou coqueiros em busca de alguma sombra para suportar a tarde calorosa. Homens, mulheres, jovens e crianças, a família toda reunida para uma partida de futebol no rural. A bola rolava. Primeiro, no alto sol da tarde, jogava a equipe B, teoricamente menos habilidosa e, posteriormente, a equipe A, teoricamente com atletas mais habilidosos. Os jogos eram acirrados, nervos a flor da pele e provocações constantes tanto entre os atletas quanto entre as torcidas. Torcedores ferrenhos, aqueles mais convictos na vitória de seu time. Nem tudo eram flores, existiam brigas entre jogadores ou entre torcidas. Ás vezes, tijolos ou garrafas voavam alto demais. Excetuando essas externalidades, o futebol de campo, sem dúvida, dinamizava o meio rural. 


Foto oficial do E.C Paleta em jogo amistoso (1974)  

Aliás, no campo de futebol também afloravam um campo de poder entre as famílias e entre as localidades rurais, isso é inegável. A rivalidade do campo é ludicamente representada também pelo contexto local. Em outras palavras, a rivalidade entre os moradores de distintas localidades rurais se traduzia num espetáculo, em uma disputa de quem tem a maior força econômica, quem tem a melhor escola, a melhor bodega, a melhor igreja, o melhor salão, o melhor campo, a melhor posição social e, claro, quem tem a melhor equipe de futebol de campo no rural. Aí emergem, portanto, relações de jocosidade (zombarias ou brincadeiras) entre jogadores e entre torcidas que vicejam o espetáculo. A galeria de troféus, medalhas e o quadro de fotos do time ficam expostos no salão da comunidade, símbolo de orgulho e também de distinção social. Aliás, a galeria é a única que permanece viva para atos memoráveis, aqueles que clamam por causos pitorescos da conquista futebolística no passado. Aos poucos a cultura futebolística de campo no meio rural tem se esvaído. As famílias rurais reduziram o número de filhos – antigamente, entre cinco a oito para dois a três nos dias de hoje. Consequentemente, menos jovens habitam o rural. Não é possível mais formar dois times de futebol de campo numa mesma localidade, mas é claro, há exceções. Os campos de futebol viraram potreiros, os potreiros se transformaram em legítimas lavouras de soja. Nas localidades rurais em que existem ginásios esportivos, os jovens rurais mantêm os times de futsal, pois não precisam mais de 22 atletas, mas apenas 10 para rolar o futsal no rural. Do futebol ao futsal, do campo para as quadras, das famílias grandes para as famílias diminutas, do maior para o menor. Futebol de campo, hoje, só rola novamente na cidade, numa mescla de jogadores rurais de distintas localidades, estratégia para tornar o time competitivo. O rural perdeu este espetáculo para o urbano. A única que expande fronteiras, abocanha os campos de futebol, invade os potreiros e até as estradas no rural é a leguminosa, ou seja, a soja. Estamos presenciando um processo de sojificação do rural, uma verdadeira sojificação dos campos de futebol. A mesma que destruiu as taipas é aquela que está acabando com os espaços de sociabilização no rural. São tempos imemoriais que ficam no passado. Daquele passado do Preto e Branco (P&B) para o presente do colorido. O verde dos campos de futebol para o verde da soja. Realmente, os tempos são outros! 

Para baixar esse texto em formato PDF clique aqui! 
Ezequiel Redin, reside no municipio de Arroio do Tigre/RS. É Doutorando em Extensão Rural (PPGExR/UFSM).
Este texto foi publicado no dia 18 de agosto de 2014 (Segunda-feira) no blog http://ezequielredin.blogspot.com.br.
Texto posteriormente publicado dia 25 de Dezembro de 2014 no Jornal Gazeta da Serra. Para visualizá-lo direcione-se à página 20/60, clicando aqui.

N.R. Em 29 de setembro 2012,  a editoria deste blog publicou um artigo sobre o assunto, mas com destaque para o futebol do interior de Santa Rosa, com o título: FUTEBOL, EDUCAÇÃO E ÊXODO RURAL. Vale a pena ler.


quinta-feira, dezembro 10, 2015

Campeões de Santa Rosa 2015

Guarani e Corinthians são os Campeões do Municipal de Futebol de Campo de Santa Rosa



GUARANI do Lajeado Pessegueiro, Campeão da Categoria Principal


CORINTHIANS do Bairro Auxiladora, Campeão da Categoria Aspirantes.

segunda-feira, dezembro 07, 2015

FUTEBOL AMADOR

ESPORTE CLUBE RADAR
Lajeado Tarumã


O Esporte Clube Radar foi fundado  por moradores da comunidade do Lajeado Tarumã, a 10 quilômetros da cidade de Santa Rosa. O nome Tarumã é por ali cruzar um pequeno rio com esta denominação, que anteriormente foi chamado de Pedra Rachada. A colonização começou na década dos anos 1930. A comunidade tem como padroeiro São João Batista. Ao lado da igreja católica,  está sepultado num memorial  o corpo do Padre Arcangelo Moratelli(1916-2003), um grande líder espiritual de Santa Rosa e que optou, quando em vida, ser lá  sepultado. As famílias que ali residem se reúnem periodicamente no  Centro de Tradições Gauchas Rancho Crioulo(CTG), onde desde cedo as crianças aprendem a cultura gaucha.
O EC Radar, hoje desativado das atividades esportivas, por muitos anos,  nos domingos a tarde, movimentou o Lajeado Tarumã,  quando jogava partidas amistosas com times da região. Segundo Cladimir Massaia, o Chico, o grande líder do Radar foi Evaldi Magdans. Mesmo não morando na comunidade e sim na cidade,trabalhou por quase duas décadas em prol do futebol, tendo feito de tudo no Radar.   Aos domingos pela manhã , Evaldi, com sua família e se dirigia ao Lajeado Tarumã. Fazia a marcação das linhas, organizava a copa, instalava as redes nas goleiras, enfim deixava tudo pronto para o jogo da tarde. Logo após o almoço retornava ao campo. Começava então a organização dos quadros de Aspirantes e Titulares, escalando-os. Evaldi era goleiro do grupo principal. Por vezes, se houvesse necessidade, fazia a arbitragem do jogos dos aspirantes. Além disso, fazia as vezes de roupeiro, se encarregando da lavagem dos uniformes dos atletas.
Conta Chico Massaia, que ao lado do campo, havia um pântano. Então, para a bola ser reposta rapidamente, era indicado ou de forma espontânea  um garoto ou jovem, para que ficasse na espreita e esta voltar ao jogo. Recebia refrigerantes, como pagamento.
Magdans, mesmo residindo na cidade, ainda continua fazendo parte da comunidade de Lajeado Tarumã.
Em 1985, o Radar,  com objetivo maior, reforçou o plantel para disputar a Taça Amizade. Chegou a final, disputada em 25 de janeiro de 1986, contra o Esporte Clube Olaria do Lajeado Grande. O jogo final foi disputado  na casa do adversário, por  ser beneficiado pela melhor campanha. Com arbitragem de Joares Veschia, foi um jogo muito disputado. No final o empate em 1 a 1 deu o titulo aos donos da casa, pois, este, tinha o maior numero de vitorias, como fator de desempate. Na final o Radar atuou sagrando-se vice-campeão, com: Evaldi; Vladimir, Salsicha, Romeu e Celso; Valdemar, Sérgio e Antonio; Altamiro(Valdir), Cladimir e Toninho.  O Radar saiu perdendo ainda na primeira etapa, mas com um gol contra do zagueiro Paulo Castilhos do Olaria, empatou,  não sendo o suficiente para lograr  a conquista.
O Radar possuia um grupo de atletas na categoria denominada mirim. Nela despontou o atleta Vitor  (filho de Clademir Massaia), que foi para a base do Juventus Atlético Clube de Santa Rosa e Goiás Esporte Clube. Atualmente, Vítor disputa o campeonato português pelo Sporting Covilhã.


sábado, novembro 21, 2015

FUTSAL

Internacionalzinho: meninos bons de bola.



Para os saudosistas e para quem não conheceu, este era o Internacionalzinho. O treinador era o Seu Adão, um pai pra gente. O time era de futsal, ou melhor, futebol de salão (se dizia assim antes das mudanças da modalidade). Jogávamos em quadras de concreto e "excursionávamos" para Tuparendi e outros municípios vizinhos com a Kombi do Seu Willi Lorentz, pai dos atletas Babá e Heinz.
Citando um por um da foto: Treinador seu Adão; Amauri Ribeiro (goleiro) Cirano (irmão da Xuxa), recentemente faleceu; Toni e Jandir;
Embaixo: Babá; Heinz; Vitor Abreu; Michael e Cati. Um timaço que rivalizava com o Palmeirinhas. Destes atletas, os irmãos Babá e Heinz , fizeram historia nas quadras do futsal gaúcho, atuando pelo Juventus AtléticoClube, na década dos anos 1980. Ambos atuaram também no Losca, que serviu de base para a formação histórica juventina. (Fonte: Vítor de Abreu, a quem agradecemos)

Saiba mais, clicando  abaixo:

HISTÓRIA JUVENTUS - TERCEIRA FASE -  FUTSAL (1979 a 1983)

terça-feira, outubro 13, 2015

Futebol Amador

EXPRESSO TODA HORA
Bairro Cruzeiro



O Expresso Toda Hora foi fundada em 1968.  Sua história está vinculada ao início do transporte coletivo em Santa Rosa.  Vencendo desafios, hoje o Expresso Toda Hora é referência em transporte coletivo, pela sua frota, e pela sua qualidade.
Seus sócios fundadores, Antônio Monjabosco, Adil Arlindo Manjabosco, Guerino Vione, Valentim Vione, Maximo C. Vione e Moacir Vione construíram uma empresa familiar, hoje administrada por seus sucessores, fazendo parte da história da cidade de Santa Rosa.
Mas o que tem a ver a empresa com o futebol. É, mas parece que tem. Na década os anos 1980, no Bairro Cruzeiro, sede da empresa, um grupo de amigos ligado à rapaziada da empresa, entre eles Beto Vione, filho de um dos sócios e que gostava de jogar futebol, uniram-se e formaram um time de futebol com o nome da empresa.  Na primeira formação do time, quem era o goleiro? Cláudio André Taffarel. Ele mesmo, o goleiro campeão do mundo, nascido no Bairro Cruzeiro, criado junto com a rapaziada. O goleiro era muito requisitado. Além de ter atuado no Expresso, era requisitado por outros times amadores da cidade de Santa Rosa, antes de se apresentar no Internacional de Porto Alegre. Jogou no Farroupilha do Lajeado Reginaldo e no Real Madri da Vila Oliveira e em Crissiumal, no Tupy, para onde a família foi residir  por causa da profissão de seu pai. Taffarel antes do futebol atuava nas quadras de vôlei do Colégio da Paz onde estudava e era muito bom nesse esporte, devido seu porte.

Taffarel , agachado, entre os companheiros

Durante a sua existência o time do ETH disputou vários campeonatos municipais entre 1982 e 1985 e  realizavam jogos amistosos pela região.