domingo, setembro 16, 2012

Memórias do nosso futebol


 VILA DOS TAQUARIANOS

João Jayme Araujo
jjgaucho23@hotmail.com
www.joaojayme.com.br

Quando jovens nada era empecilho para alcançarmos a felicidade de jogar futebol, mesmo que para isso tivéssemos de andar por quilômetros e mais quilômetros.
Assim, íamos a pé até o Quilômetro Três  ou Vila dos Taquarianos, na estrada para Tuparendi, passando por Cruzeiro.
A denominação, deve-se, pela colonização ter sido feita por pessoas vindas da cidade de Taquari. (Uma leva de imigrantes, descendentes de açorianos, vindos da região de Taquari, se estabeleceram em algumas comunidades arredores da cidade, dentre elas o Quilometro Três.)
Íamos a pé, seguindo pela Vila Flores, em direção ao Norte.
Lá chegados jogávamos com os nativos, num campo de futebol, grande, de dimensões oficiais, mas todo de terra, nada de grama.
Terminada a refega, vínhamos pelo mesmo atalho,  para encurtar distancias, cansados pelo jogo e pela caminhada
Porém, no gozo da felicidade.
Éramos felizes e ainda não sabíamos!
                            
TAQUARIANOS

Originários da Vila do mesmo nome, pelos menos dois Taquarianos, fizeram historia no futebol da cidade. 



Na foto: à esquerda Eloy e a direira Adãozinho fizeram história no futebol.

Adãozinho apareceu em Cruzeiro e atuou, inicialmente, pelo Juventus. Por motivos ignorados – talvez problemas de deslocamentos – tanto aparecia como desaparecia. Ressurgiu depois, no Paladino, e deve ter encerrado a carreira no EC Aliança ou no Juventude. Avante todo desengonçado, corria como se viesse aos trambolhões, mas, normalmente comparecia no placar, como se diz hoje.
Eloy fez parte de uma onda de renovação no Aliança quando tal aconteceu no elenco.
Atuava pela ponta direita.  Foi campeão estadual.
Hoje, como fiscal fazendário, aposentado, vive em Tucunduva e trocou o futebol pela pescaria.
Deve ser daqueles que têm muita historia para contar!

sábado, setembro 08, 2012

Outros esportes


VOLEIBOL, TÊNIS, BOLÃO e TIRO AO ALVO
(Anos 1950)

João Jayme Araujo
jjgaucho23@hotmail.com


 MACHADO DE ASSIS



Na parte esportiva, o Grêmio Esportivo Machado de Assis, do educandário do mesmo nome, as equipes, tanto no vôlei, como no basquete, eram formadas, na maioria das vezes, por militares que ali estudavam. No vôlei: Meneghel, Jayme, Pydd, Schultz, Odilon e Ramires.
No basquete, além desses, Batistinha, um ala de baixa estatura, mas, dos grandes encestadores, que a cidade conheceu.
Para fazer justiça, junto com o ÁGUIA NEGRA, foram os praticantes desses esportes em nossa cidade, sempre incentivados pelo grande educador que foi FIORAVANTE PEDRAZZANI.



ÁGUIA NEGRA


 Na foto: Decio Zoehler, Ludovico, Antoninho Rigo, Arno Schuemberg, Nique Zoehler e Ascanio Pinto(Foto Nique)


Que eu lembro nossa terra, com raras exceções, não teve grandes equipes nesse esporte.
Dos que se interessava por Vôlei, com destaque, foi LUIS FLORIANO MENEGUEL, que cursando a Escola de Educação Física do Exército na Urca–RJ, teria jogado no sexteto do Fluminense ou do Vasco.
Exímio cortador, no tempo que se jogava por duplas: cortador e levantador.
Segundo seu ensinamento, o bloqueio era para fazer a bola subir, a fim de possibilitar o contra-ataque.
Quando tal não ocorria olhando para os bloqueadores, dizia:
– Não cumpriu a finalidade do bloqueio! 



 A primeira equipe da cidade teria sido o ÁGUIA NEGRA. Integrada pelos professores da Comunidade Evangélica da Paz, como Professor Nelson Grebin, Professor Roberto Seidel, Decio Zoehler, Evaldo Rippel, Arno Schuenke e alguns mais, geralmente vindos de Estrela-Lajeado e por funcionários de bancos
O AGUIA NEGRA teve uma carreira meteórica, ora aparecendo, ora desaparecendo. Depois se seguiu o GEMA – Grêmio Esportivo Machado de Assis, do estabelecimento de ensino do mesmo nome, ,que, então, também, aparecia e desaparecia! O grande incentivador do esporte no Machado de Assis foi o seu criador: o mestre FIORAVANTE PEDRAZZANI.

GRUPOS DE BOLÃO



Santa Rosa teve ao seu tempo, vários grupos de bolão, uns destacados e outros menos votados. Seus nomes: NÃO PÓDE, NÃO SE ENGANA, 12 DE ABRIL, 20 DE SETEMBRO, inicialmente. Depois vieram o CAXIAS, fundado por Jaime Mantovani, que reunia uma gurizada, que, por força das circunstâncias, treinava à tarde. 


Um dos aficionados do bolão e um dos seus mais brilhante jogadores da época, que jogava no Aliança, era Norberto  Harald Schuneman.
À noite, quando a cancha não era usada pelo seu grupo, aparecia para chuliar, bater um papo e cositas más.
Invariavelmente, chegava junto ao recinto, dirigia seu olhar a todos e interrogava-lhes, sempre com a mesma  frase que ficou sua marca registrada:
– como estarão se havendo os contendores nessa árdua e renhida disputa?

TENIS


Veio servir em Santa Rosa, um dos expoentes do Estado no chamado esporte branco, Major Hening.
Iniciou por deixar em dia as canchas do Regimento, onde tinha como sparring o Major Waldir.



O esporte “espraiou-se” e a Sociedade Cultural, a pedido e com a colaboração dos próprios remodelou suas canchas – duas  – de saibro e então surgiram novos praticantes
O point era encontrarem-se os novos adeptos e poucos experimentados como JULIO MORALES, Dr. WALTER WARTH e Dr. STEFEN ao fim da tarde no local e os dois militares.
Dos novos, o que progrediu, teria sido o LIVINO BIRCKE.
Como se disse era o denominado esporte branco e, como tal, assim deviam-se vestir os praticantes.
Um deles, porém, médico, não se sabe se, por descuido ou para irritar seus companheiros, seguidamente, aparecia com meias escuras.

CLUBE GUARANY DE CAÇA E PESCA



Quando de sua fundação, o Clube alugou ou serviu-se de um local para prática de tiro ao alvo e tiro ao prato, numa área de propriedades da família Kroth,cuja entrada era em frente ao portão do atual cemitério,.numa baixada, onde havia as linhas de tiro e um poção para banho junto.
Nas provas de revolve,r havia poucos competidores. Lembro dos Majores COUTINHO.e WALDIR.


A maioria, praticava o tiro ao prato tendo como expoentes, JOÃO RIGON, JOÃO HOFFMANN, ZECA SEGER, LEONISIO GRANDO, TITUS BIRMANN e outros menos votados, como João Aguirre Araujo, que embora participasse da maioria dos acontecimentos sociais, nunca foi bom de grana.
Os outros, como dispusessem de poder financeiro, “importavam” armas – LASSORDA, TARASQUETA e outras específicas e coletes especiais, com bolsos, para portarem a munição.
Seu Joãozinho Araujo dizia:
– ah se eu tivesse as mesmas armas deles, seria, com certeza, tão bom quanto.

sábado, setembro 01, 2012

Historias do Futsal


 ESPORTE CLUBE SANTA ROSA




Fundação

Era final do ano de 1993. Com o rebaixamento do Dínamo FC que disputava a Divisão Principal do Campeonato Gaúcho de futebol, por três temporadas, um grupo de desportistas, funda em 22 de novembro, o EC Santa Rosa. Mas, o Dínamo recuou do seu licenciamento da FGF e voltou em 1994 a disputar a Segundona, fechando as atividades esportivas no ano seguinte. O Santa Rosa, então se volta para o futsal.  Aliás, um espaço deixado pelo Juventus AC e posteriormente pela S.E.R. Concórdia.
O EC Santa Rosa disputou a Série Bronze de 1994/95, a Série Prata de 1996 a 1999 e a Série Ouro em 2000.

Conquista

Seu principal título foi o conquistado em 1999, jogando em Erechim contra o Atlântico, sagrando-se campeão estadual da serie.

Presidentes

Jacob Luciano Gauer – 1993/94
Paulo Adir dos Santos - 1995
João Kunst - 1996/98 e 1999
Jesus Beccon  - 1997
Telmo Ricco Anes - 1999
Jorge Oliveira – 2000

A estréia

Ocorreu jogando fora de casa, em 21 de abril de 1994, na cidade de Cerro Largo com uma vitória de 4 a 2 sobre o Aurora.
Em casa, sua estréia foi no sábado seguinte no Ginásio Dom Bosco, com a presença de 1.880 torcedores e uma bela vitoria sobre o Santa Bárbara pelo placar de 9 a 5.
Embora de vida curta (seis anos) o Santa Rosa realizou belas campanhas e memoráveis jogos nas series que disputou, sempre levando bom publico nos jogos em casa, onde era temido pelos adversários. 

Destaques

O atleta prata da casa Telmo Junior, foi um dos melhores jogadores do clube. Em 1999, quando do titulo estadual, anotou 51 gols, seguindo por Fábio Maicá com 25 gols e Gian com 24. Jogou 31 vezes, marcou 174 gols e sofreu 151. Obteve 17 vitórias, 10 derrotas e 4 empates. Foi o ano da consagração, pois, além do título houve o tão almejado acesso para a Série Ouro.
O maior artilheiro da história foi o atleta Jairo Beal com 103 gols em quatro temporadas. Em 1997 a  Federação concedeu o troféu de melhor jogador da Série Prata. O goleiro Danilo,  de grande destaque, além de jogar no Santa Rosa, atuou em vários clubes do Brasil e chegou a vestir a camisa da seleção brasileira de futsal.


Série Ouro

Para fazer bonito, o Santa Rosa, em 2000, contrata o consagrado técnico Paulinho Sananduva que apoiado pela Diretoria monta um grande time para disputar a Série Ouro. Fez uma boa campanha e permanece na Série Ouro. Mas, devido a problemas financeiros, falta de patrocínio, sucumbiu, e cessou suas atividades naquele ano. Em seis anos, a torcida santa-rosense lotou o Ginásio Dom Bosco por várias vezes, em grandes e decisivos jogos, com aquele com o Juventude de Caxias do Sul, ainda na Série Prata, que até então estava invicto, e perdeu para o Santa Rosa (5 a 4) numa noite memorável para o nosso futsal.

Futebol de Campo

Além do futsal, o Santa Rosa estruturou categorias amadoras. Em 1995, investiu no futebol de campo e disputou um campeonato regional, não oficial. Chegou a final para disputar o titulo com a Associação São João Batista do interior de Tucunduva. Venceu a primeira em casa pelo placar de 1 a 0. No segundo jogo disputado em Esquina Tucunduva, perdeu por 3 a 0. A vitória veio nos pênaltis por 4 a 3. O time base: Danilo, Luizinho, Fábio, Paulo, Marcelo, Fredo, Venildo, Rufino, Criveleto, Rezende, Claudio, Biga, Augusto e Grilo.





sábado, agosto 25, 2012

Memórias do nosso futebol

PALADINO 3 X 1 JUVENTUS 
(História do jogo realizado a 59 anos. Colaboração: João Jayme Araujo) 
 
Data: 27 de setembro de 1953
Local: Estádio Baixada do Pessegueiro – Santa Rosa/RS

                                                                                                    
A  equipe do Paladino FC que disputou o jogo
 

A equipe do Juventus AC que disputou o jogo

(Ao fundo, a direita, o time do Paladino entrando em campo.)

Leia o que diz o Jornal A SERRA sobre o jogo no final de semana seguinte: 
 Clique na foto para ampliar.



Graças à colaboração de Elton Zielke e de Joca, filho de meu querido amigo LUIZ CAPPELLARI, assim como o foram todos os seus irmãos, resgata-se por fotos e noticias de A SERRA, um dos clássicos mais esperados no futebol de nossa terra.
Paladino e Juventus eram os expoentes do futebol em Santa Rosa.
O clássico de 1953 decidiria, possivelmente, o campeonato.
Como atrativo extra, a disputa da condição de artilheiro do ano, entre Charles e Jayme, que estavam empatados. Com dois marcados nesse jogo Charles conseguiu o galardão.
O Juventus era comandado pelo técnico Barcellos, que viera de Porto Alegre, trabalhar na construção civil e com eles dois atletas que logo se incorporaram aos periquitos, CARECA E TELMO.
CARECA um centro médio com as características dos center-halfs, de então.
Daqueles que tendo a bola sob seu domínio, normalmente, de cabeça erguida, lançavam em ótimas condições seus atacantes, para que esses desempenhassem a respectiva missão.
TELMO, um ponta-esquerda arisco que buscava e encontrava a linha de fundo. Um dos trunfos do Juventus, mas, nessa partida, por contusão, não pode atuar o que se constituiu num sério desfalque.
Examinando-se hoje as fotos da pugna, chega-se à conclusão que o PALADINO tinha melhor time.
Sobressaiam DÉCIO e NIQUE irmãos, zagueiros comprados depois, por uma geladeira a cada, pelo Aliança.
Os irmãos Charles e Nolly,, este, como se diz, sabia e Charles um ponteiro-direito, depois centroavante. Velocista e dono de um chute potente. Tinha o faro do gol.
Como goleiro, Júlio, discreto, mas efetivo.
Nino, zagueiro que tinha passagem por bons clubes de centros maiores.
Ernani, tosco, mas, se impunha em sua área.
Napoleão, bom lateral, marcador implacável.
Lauro Fenner, que atuara antes, com destaque no próprio Juventus e no Tuiuti de Santo Ângelo e Paulo Terra, um porto alegrense colored, como se dizia, antes do politicamente correto, dono de uma visão de jogo destacada, bom jogador, melhor caráter.
No Juventus eram destaques, Careca, Antonio, Jayme, Décinho, este o cérebro do time, dos maiores jogadores da região e Luiz Cappellari, bom jogador, mas, genioso.
Pela comparação, vê-se a superioridade do vencedor. 



Equipe do Juventus entrando no Estádio: na frente Jayme. Fila da esquerda, Hectore, Carlinhos, Careca e Luiz Cappellari. Na direita: Adão, Antonio e Decinho. De chapéu, no lado, Telmo ponteiro esquerdo que, por contusão, não atuou. 

A TORCIDA FEMININA 

Foram destaque nessa partida, as torcidas femininas. Admiradoras do Juventus, tendo Ascânio Pinto como chefe da torcida e Claudete Araujo à frente, resolveram marcar presença, devidamente uniformizadas.
O vestido era de cor verde, com golas e punhos vermelhos e completando o visual um chapéu de palha enorme.
Para saudar sua equipe, percorreram o comércio em busca de auxilio, destinado a compra foguetes, com os quais receberam os atletas na entrada em campo.
Nas fotos abaixo das torcedoras, vêem-se três incidências, como: entrada em campo, entrega de uma "corbeille" para o capitão da equipe, Careca e este acompanhando Águeda e Claudete Araujo, quando estas deixavam o campo. 



Ascânio Pinto, chefe da torcida do Juventus. Aparecem, dentre outras, Claudete, Águeda e Negra Araujo, Evinha, Lisete Koch,Neiva Hoffmann, Maria do Carmo Acioli e Laís Albrecht.



Careca, capitão da equipe do Juventus  recebendo uma corbelia de flores. Vê-se, entre os chapéus, os atletas Adroaldo Liberalli e Paulo Pinto que não apareceram n a foto da entrada no Estádio.



Capitão do Juventus Careca, acompanha Águeda e Claudete Araujo, quando elas se retiravam do campo em direção ao Pavilhão.



Torcida feminina do Paladino: Janete Berta, Liége e Dione Zenni; Vera Maria, Stella,Maria de Lourdes Cardoso, Miriam e Eda Zenni; Lilian (de mãos erguidas) e Luze Koch, Ruth Matter, Ila Andrade...".
Como em cidade do interior é difícil guardar-se segredo, as torcedoras do Paladino descobriram o movimento das adversárias e também se fizeram presente uniformizadas.
A história contada por VERA CARDOSO WIENANDTS: " Eu, era menina de tranças, ainda. As mais velhas conseguiram motivar a turma então apaixonada pelo Paladino, determinando que todas usariam roupa branca e vermelha de
preferência a saia branca e blusa vermelha. Quem não tivesse colocaria alguma roupa onde se destacassem essas cores.
Outra coisa, lembro bem, confeccionamos bandeiras de tiras vermelhas e brancas de papel crepon, presas numa madeirinha por percevejo.
As menores, as amigas minhas,Dione,Liége, fomos arrecadar as hastes dessas lá no Scalco Móveis que cortaram exatamente como pedimos.
Todo mundo se juntou pelas casas para confeccionar as ditas bandeirinhas.
Entramos pela lateral do campo em direção às arquibancadas. Agitávamos as bandeirolas gritando frases e palavras de efeito visando um bom desempenho de nosso time. Vitória do nosso time.
O Paladino estava no auge e nós meninas que frequentávamos o estádio do Pessegueirinho junto com as manas maiores, claro, resolvemos apoiar o time com uma grande torcida feminina. E, assim foi, num determinado domingo para espanto de todos, adentramos pelas laterais do gramado. onde havia o campo e onde o Paladino enfrentaria (Juventus) vestidas "para matar" de branco e vermelho. A saia rodada(da época, com armação) era branca e a blusa vermelha ou vice versa como havíamos combinado em reunião da turma.
.Ah, aquilo deu uma vida na torcida que não parava de gritar palavras de incentivo, de força aos jogadores que também havíamos combinado.
Uma começava e as outras iam fazendo um coro, espetacular, o povo aplaudia e co-participava.
Foi inédita esta atividade com relação a um time de futebol, enfim, mais ou menos 30 meninas, adolescentes e as mais maduras.
O máximo, numa época em que o futebol era uma grande atração, um bom programa de domingo à tarde, nas pequenas cidades e os jogadores nativos do local, todos conhecidos e alguns namorados.
Espero que gostem do que contei, pois, para mim estasatividades,foram inesquecíveis.(Vera Cardoso Wienandts)