sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Futebol Amador


DO SANTOS AO REAL MADRID.

Não se trata do peixe ou alvinegro praiano e muito menos  do merengue madrilenho. Não falo do grande Santos de Pelé e do poderoso Real Madrid. De outro Santos e de outro, Real Madrid, daqui mesmo. Dois pequenos clubes de futebol amador da cidade, que em tempos idos contribuíram para o crescimento do futebol da nossa terrinha.

O SANTOS F.C.

O início
Um grupo de desportistas liderados pelo Sargento do Exército Brasileiro Sarito Batista e por Vitorino Girardon (o Vito), fundaram por volta do  ano de 1962 o Santos Futebol Clube, com sede na Vila Santos, Santa Rosa/RS. A eles se somaram Adão Batista (irmão de Sarito), Elemar Bosenbeck, Júlio Kirichenco, Ireno Galvão, Vilson Bonaerth, Eduíno Lima (o Canelinha), Camilo dos Santos, entre outros. O primeiro presidente foi o Senhor Vitorino Girardon.
O nome sugerido foi Santos Futebol Clube. Primeiro, fazendo referencia a Vila Santos, origem e sede do clube e, segundo, em homenagem  ao Santos de Pelé, na época o  melhor time de futebol do  mundo.
O uniforme escolhido foi: camisa branca com gola e punho preto, calções e meias brancas. Aliás, as mesmas cores do Santos/SP.
O primeiro campo se localizava nos fundos da Vila Santos, a margem esquerda do riacho denominado Sanga do Inácio, numa área de propriedade da Senhora Gasparina. Foi montado o campo para a prática do futebol, com as traves de madeira, afirmadas com prego e marcado o campo. Não havia redes. Quando a bola arremessada com violência, chocando-se ao poste, por vezes despencava tudo. Como era uma baixada, ao lado do riacho, no inverno dificultava a prática do futebol, devido à água armazenada no solo pela intensidade das chuvas da estação, formava um pântano.

Os primeiros compromissos
Adão Batista, fundador, ainda hoje morador próximo do local,  nos revela, segundo ele,  possivelmente o primeiro compromisso foi contra o Comercial do Bairro Cruzeiro, na casa deles, e o segundo jogo foi na própria casa, e enfrentou o Navegantes de Porto Mauá.
Elemar Bosenbecker recorda de alguns jogos: “Quando jogamos numa oportunidade contra o Olaria do Lajeado Figueira, eu estava como centro-avante. O árbitro marcou um pênalti a nosso favor e o treinador Vilson Bonahert pediu que cobrasse. Joguei a bola para cima do gol. Novamente pênalti a nosso favor. Outro foi destacado para cobrança. Pior ainda, foi mais alto, mais longe do gol. Enfim, na segunda etapa, fiz o gol, mas sofremos o empate. Numa outra oportunidade, jogamos num campo que existia a esquerda da ponte do Rio Pessegueiro, descendo a Avenida Borges de Medeiros, contra o 1º de Maio. Foi um entrevero grande. Briga mesmo.  Geralmente eu atuava na zaga, até por causa do meu tamanho, mas por vezes, como neste,  como centro-avante. E, nessa posição, fiz muitos gols n o primeiro tempo.”

Vida Social
Na Vila Santos havia um salão para atividades sociais de propriedade da Senhora Gasparina. O mesmo salão também serviu de escola e igreja. Lá o Santos realizava, como vemos nas fotos da escolha das soberanas em 1966, suas promoções para angariar fundos, como o baile de escolha das suas soberanas, além da copa em dias de jogos.

O fim
Em 1967, desaparece o Santos como time de futebol. Como já havia surgido o EC Real Madrid, este passa a ocupar o campo deixado pelo Santos FC, até 1972, quando tomou posse de sua nova sede na Vila Oliveira. Com isso o campo, que por muitos anos serviu de entretenimento para os finais da semana, na pratica do futebol, unindo pessoas de várias comunidades, virou potreiro.
Osvaldino Alves dos Santos, que era atleta e que jogava na posição de centro-avante no Santos, assume a presidência do Real Madrid e dá sequencia ao futebol. Com a desistência da equipe santista, vários atletas do Santos se engajam para jogar no Real Madrid.

O EC REAL MADRID

Com desaparecimento do Santos, surge o Real Madrid, por volta de 1967. Adão Batista,relata: “Vários jogadores que formavam o plantel que vinham da Vila Americana, se apresentavam pela parte da manhã” relata Adão Batista. ”Todos almoçavam lá em casa, e depois seguiam para o campo”, conclui.

O uniforme
A primeira camisa eram listras verticais, nas cores preto e branco. Posteriormente houve mudanças no desenho do uniforme. Passou a ser branco com uma listra preta transversal. Depois se associou o amarelo com uma listra preta transversal na camisa amarela  e depois sucessivamente outros modelos de uniformes preservando as cores, como os de listras verticais preto e amarelo.
A denominação de E.C. Real Madrid, segundo Osvaldino, foi uma homenagem ao co-irmão espanhol, visto que um dos integrantes do Santos FC tinha um grau de parentesco com um cidadão que morava na Espanha e que havia uma ligação com o clube espanhol. De lá, diz Osvaldino, nós recebemos um fardamento de graça.
Na baixada da Vila Santos foram realizados jogos durante dez anos, de 1962 a 1972, primeiro com o Santos e depois com o Real Madrid, onde este se transferiu para a Vila Oliveira.

A nova casa
Quando da urbanização de uma nova área de terras denominada Vila Oliveira, próxima da Vila Santos, atravessando a Avenida Expedicionário Weber, foi determinada que uma quadra do referido loteamento fosse destinado a uma praça pública. Ali foi construída, então, a nova sede, já como do Real Madrid. Isto, em 1972, quando da administração do Prefeito Anacleto Luis Giovelli. Osvaldino Alves dos Santos, então presidente, comandou a terraplanagem do terreno para o novo campo.
Na passagem para o novo reduto, a entidade foi legalmente constituída, como personalidade jurídica,

Conquistas:
1977 – Campeão Municipal.  Na época, existia uma rivalidade muito grande entre o Dínamo FC e o EC Real Madrid. O Dínamo-Real era o clássico da cidade. Havia enorme rivalidade. Ambos dividiam, ora um ora outro, a hegemonia do futebol da cidade. A final do campeonato de 1977 foi disputada entre ambos. Segundo comentários de quem presenciou o espetáculo, foi um jogo muito disputado, por vezes, com disputas fortes nas jogadas por parte dos jogadores. Os ânimos também se acirravam entre torcedores e dirigentes. Após o final da contenda, o jalde-negro da Vila Oliveira saiu vencedor, pelo placar de um  a zero, gol na cobrança de falta de Sérgio Cachorro. Com o resultado, sagrou-se campeão da temporada de 1977. 
Em 1977 também foi Campeão na Categoria de Aspirante. levou o titulo vencendo o Dínamo por um a zero, gol Arsolí Lopes (Furinho) marcada através de uma penalidade máxima. Odilo Hofferber jogava no time campeão e tem na lembrança o jogo final.

Campeão Municipal 1978
1978 – Bi-campeão Municipal.  Mesmo perdendo a decisão do Campeonato Regional para o Uruguai de Porto Lucena, a Direção e o grupo de atletas não se desmotivaram. Foram à luta e com muita garra e determinação, logrou êxito conquistando o bicampeonato. O valente Dínamo foi novamente o adversário. O Estádio Municipal foi palco de um grande jogo, lembra o presidente Osvaldino. Nosso time foi muito valente, complementa. O placar final foi de dois tentos a um, com gols de Nanico numa cobrança de falta e Beti Geiss, que numa escapada entrou na área e desviou do goleiro adversário.

1978 – Vice-campeão regional – Com um belo plantel, muito qualificado, o Real Madrid chegou pela primeira vez a final do campeonato. O adversário era o Uruguai de Porto Lucena. No jogo da ida, em Porto Lucena, com gol de Paulo Timm, o Real foi vencedor. Quando tudo se encaminhava para o título, jogando em casa, na frente da torcida, o adversário foi à desforra. Derrota em casa por um a zero (gol de Polenta).  Segundo critério do regulamento, dois resultados iguais beneficiava o Uruguai, então se tornou campeão.

1979 – Campeão Regional, disputando o jogo final com o Cruzeiro de Campina das Missões. Estava previsto a realização de três jogos: um em Santa Rosa, outro em Campina das Missões e novamente Santa Rosa. Na primeira contenda o Real levou por vencida por um a zero, gol de Santinho. No segundo jogo, no terreno adversário, poderia perder por qualquer resultado, que haveria ainda uma terceira, em casa. Acontece que o árbitro escalado para apitar o jogo, da cidade de Horizontina, sem justificativa, não compareceu ao compromisso. Pelo regulamento da competição, o Cruzeiro poderia indicar, na ausência da arbitragem, uma pessoa da comunidade local, para comandar o espetáculo. O mesmo, por pressão e faccioso,  favorecia demais o time da casa. Primeiro com uma penalidade, repetida a execução até a bola entrar e gol irregular anotado com o uso da mão. O placar estava dois a um para os locais e um ambiente impróprio para se jogar uma partida decisiva.  Sentindo-se prejudicado, a direção do Real, comandada pelo presidente Osvaldino, tirou o time de campo. Após reunião conjunta entre a organização do torneio  e  clubes interessados, decidiu-se pela realização em nova data de apenas um jogo em Campina das Missões e não como se previa anteriormente. Mudou-se o regulamento. Com o trabalho no apito do mesmo árbitro que não havia comparecido, o Real saiu perdendo, com um gol de pênalti, cometido pelo zagueiro Cláudio. O empate veio numa jogada de Taborda pela ponta esquerda, cruzou para a área, mas, com efeito, a bola foi de encontro ao poste e entrou no gol do Cruzeiro, o goleiro tentou tirar, mas a bola já havia ultrapassado a linha do gol. Bem colocado o auxiliar validou o gol. Com este resultado o Real sagrou-se campeão regional. 

1982 – Tri-Campeão Municipal - O jogo decisivo e final ocorreu entre o Ipiranga do Bairro Sulina e o Real Madrid, em dois jogos disputados no Estádio Carlos Denanrdin. Quem nos repassou os detalhes foi o capitão Olimpio Zamin. O primeiro, gol de Santinho, vitória do Real Madrid. O segundo, quando estava empatado em um gol(marcado por Nanico em cobrança de falta), houve uma invasão de campo por parte dos dirigentes do Ipiranga. A arbitragem decidiu encerrar a partida. Então, título foi decidido no tapetão. Após julgamento o título ficou com o Real Madrid. Por consequência, a taça do vencedor foi entregue em gabinete, ao capitão Olimpio Zamin, com a presença do Senhor Secretário de Cultura, Turismo e Esportes Luís Carlos Borges, o Secretario de Administração Amauri Giovelli e o Diretor de Esportes Valdir Dani.

Destaques
Alguns destes atletas se destacaram nos futebol profissional como Jarbas Tonel. Este começou a jogar no Juventude de Cruzeiro, depois foi para a capital jogar no Cruzeiro de Porto Alegre, aonde chegou a marcar dois gols na vitória dos estrelados de 2 a 1 contra o Internacional, num jogo do Campeonato Gaúcho.  Jogou ainda no Sport Recife, América/RJ e na Associação Santa Rosa de Esportes - ASRE. Outro destaque, Tato Moroni, jogou no Inter/SM, Vasco da Gama do Rio de Janeiro e em Portugal, no Braga e Ovarense, e na volta em vários times nordestinos do Brasil. Hoje exerce a função de treinador. Outros, como Lazarin, que era lateral da ASRE jogaram também no Real. Segundo o presidente Joel Fernandes, o próprio Cláudio André Taffarel, quando jovem, fez algumas defesas no gol do Real. Aliás, este enquanto esteve por aqui, jovem e sempre prestativo, atuou em várias equipes amadoras da cidade.

Osvaldino Alves dos Santos, o Grande Presidente.
Osvaldino, uma espécie de eterno presidente e patrono do clube, foi presidente de 1972 a 1982. Nos últimos dois mandatos teve apoio na diretoria, com o suporte do abnegado desportista  Olimpio Zamin.
Com a saída de Osvaldino, assumiu o Senhor Jolar Fernandes, que esteve a frente por mais dois anos, onde em 1984, quando o Real cessou as atividades esportivas.
Com a termino das atividades, nasce a Associação Atlética União, que ocupou então o espaço na comunidade da Vila Oliveira.
O incansável presidente Osvaldino Alves dos Santos foi o grande incentivador, tornando-se uma figura lendária na história do EC Real Madrid. Em 1989, foi presidente da Liga Santa-rosense de Futebol. Também fez parte da direção do Juventus AC, no futebol de salão. Atualmente aposentado, Osvadino descansa em seu sítio na Vila Santos.

Futebol de salão
Na época era assim denominado, o hoje futsal. Tinha suas regras diferentes das de hoje. O Real Madrid possuía um departamento representado pelo Spartacus, utilizando a estrutura do Real Madrid. Segundo o presidente Osvaldino, foram conquistados cinco títulos nesta modalidade nos anos de 1970. Jogava Sérgio Cachorro, Larazin, Chico Timm, Santinho, Taborda, Santinho, Nanico, Carlos, Luizinho Giordani, entre outros. Era um belo time, conclui Osvaldino.

Nossos agradecimentos ao Senhor Osvaldino Alves dos Santos, Adão Batista, Olímpio Zamin, Ódio Hofferber e Joel Fernandes, que gentilmente nos repassaram as informações.


2 comentários:

  1. Tive oportunidade de participar por muitos anos desse grande club de futebol REAL MADRID eu sou o (NEGO MARAFIGA) estive em 1977 com apenas com 17 anos no banco de reservas quando SERGIO CACHORRO fuzilou ADÃO GNATTA goleiro da epoca do DINAMO em um jogo de muita luta por parte de ambas as equipes, tambem estive em campo em PORTO LUCENA onde apos o jogo fomos atacados pela torcida adversária onde meu saudoso pai OLIVIO MARAFIGA foi atingido e acabou tendo seu braco esquerdo quebrado, estive em Campo tambem em SANTA ROSA quando em substituições erradas feitas pelo então treinador OSVALDINO me tirando juntamente com o saudoso TABORDA no intervalo do jogo onde o placar era favoravel a nós por 1x0 acabamos por perder a final dentro do ESTADIO CARLOS DENARDIN pelo placar de 2x1 estive em campo tambem em SANTA ROSA e em CAMPINAS DAS MISSÕES nos dois jogos realizados naquela cidade onde ali se encontravam em torno de 3.000 pessoas sem nenhuma segurança aos jogadores e dirigentes do REAL MADRID. Realmente tinhamos uma equipe de respeito como saudoso SACI que ao findar o campeonato foi morar em CAMPINAS e defender as cores do club daquela cidade, era escalado mais o menos assim CARLOS- VALCI- CLAUDIO MAROSTEGA- TATO MORONI- NEGO RECALCATTI- VALMOR- SACI- TABORDA- NANICO- NEGO MARAFIGA- SERGIO CACHORRO- CHICO TIMM opcões de banco SANTINHO - VALMOR - MILTON MARAFIGA - LUIS COUTINHO - e muitos outros todos em condições de jogar igual aos que começavam jogando, tivemos uma semifinal contra uma equipe de TUCUNDVA onde ganhamos la o primeiro jogo por 1x0 e no jogo em casa perdiamos por 2x0 no primeiro tempo logo no inicio do segundo tempo fizemos o primeiro gol e num sufoco aos 45 minutos numa falta o CLAUDIO MAROSTEGA acertou grande chute de falta e empatou o jogo e classificamos para a grande final contra CAMPINAS, antes disso o Osvaldino havia dito no vestiario que caso perdessemos colocaria fogo nas camisas apos o jogo dentro de campo e acabaria com aquele clube mas se caso classificassemos atravessario o CARLOS DENARDIM virando cambalhota e foi o que fez ao terminar o jogo, são histórias que trazem muitas saudades nos dias de hoje e se ficar aqui escrevendo tenho assunto pra muitos dias. Então aqui ficam meus agradecimentos a todos que fundaram essa pagina e dizer que fiquei muito feliz quando a descobri e que podia ser mais divulgada para que cada um que contribuiu para que existisse essa história do futebol Santarrosense pudesse colocar um pouco do que viveu nesses gramados da nossa região do Alto Uruguai, por exemplo meu cunhado NERI FERREIRA CORREA o (GRIFU) chegou a ser considerado melhor jogador do interior do RIO GRANDE DO SUL e não tem nenhuma divulgação pela grande contribuição que teve sua pessoa para história e tantos outros que fizeram história no gramado do ESTADIO CARLOS DENARDIM como por exemplo (PERIGOSO) que jogou no DINAMO (ZÉ PEDRO) do IPIRANGA DA SULINA (TONINHO) do Palmeiras da Glória (NANICO) Real Madrid (BAITACA) Dinamo e por ai a fora são tantos outros, mas fica aqui meu grande abraço a todos com quem tive o prazer de jogar junto ou mesmo como adversário que todos fiquem na Paz DO NOSSO SENHOR DEUS.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelo comentário que também pode ser um depoimento. Vamos publicá-lo. Se tiveres alguma foto por favor envie pelo e-mail: agrosantarosa@bol.com.br Se tiveres algo mais a acrescentar nos envie. Um grande abraço.

      Excluir