quarta-feira, 5 de abril de 2017

Homenagem

ANTÔNIO NEY DA SILVA

Enquanto estávamos trabalhando no projeto Por Onde Anda, desta vez com o ex-atleta ANTONIO
NEY DA SILVA, formos surpreendidos com um telefonema de seu filho ANTONIO NEI DA SILVA FILHO, nos comunicando de seu falecimento. Consternados pelo seu passamento, continuamos nossa tarefa, agora como homenagem. Tive o prazer de conhecer o Ney, quando esteve morando em Santa Rosa, tendo-o visto jogar, no ano de 1953, atuando na ponta esquerda da equipe do Paladino F. C., quando os jogos eram realizados no Estádio Municipal do Pessegueiro. Era natural de Porto Alegre/RS, filho de Heitor Dias da Silva e de Nelly Dihl da Silva. No futebol ficou conhecido como Ney Silva.

Do primeiro casamento, com Jussara, nasceram dois filhos: Antonio Nei da Silva Junior e Regis Nei Rodrigues da Silva; em segundas núpcias, com Nair, dois filhos: Antonio Nei da Silva Filho e Sara Regina da Silva.
Segundo ele mesmo nos contou, teve uma infância difícil – família pobre, criado no Bairro Menino Deus e Glória, em Porto Alegre/RS. Aos seis anos de idade para ir a Escola passava na rua ao lado do campo do Nacional F. C., clube de futebol que já naquela época mantinha atletas profissionais e numa dessas ocasiões “encontrei uma bola de treino que se apresentava já bem usada e a guardei em um matagal ao lado do dito campo; ao retornar da Escola levei-a para minha casa e então com ela brincava todas às tardes até ao anoitecer, ficava chutando a minha amiga a bola.” Com muito esforço conseguiu completar o Segundo Grau.

Iniciou sua vida esportiva jogando em Porto Alegre, RS, no clube amador denominado Comercial do Bairro Glória com o professor Pagano, que era amigo e companheiro de Vicente Rau, responsável pela garotada/juvenis do Sport Club Internacional; "em 1947, com quinze anos de idade, fui para o juvenil do Sport Club Internacional, lembro que na época o time de juvenis do Grêmio Fott BallPorto-alegrense era o campeão por mais ou menos uns dez anos consecutivos e naquele ano de 1947 quebramos a hegemonia deles e fomos os campeões; para tanto lembro que foram disputados quatro gre-nais, seguidos um ao outro, sendo dois jogados no Estádio dos Eucaliptos e dois no Estádio da Baixada, para se conhecer o campeão e para minha felicidade fiz muitos gols."

Teve também uma rápida passagem pelo Clube Esportivode Bento Gonçalves; em seguida, já nomeado como Inspetor de Polícia, foi destacado para a cidade de Sobradinho/RS. 


Em 1953, foi transferido para a cidade de Santa Rosa/RS, onde, segundo ele mesmo contou, foi recebido de braços abertos e foi onde iniciou a caminhada de jogador de futebol profissional, "tendo naquele mesmo ano de 1953/1954, integrado a equipe do Paladino F. C., quando da sua conquista do título de Tetra-Campeão da cidade de Santa Rosa, RS."    


O saudoso colaborador deste blog, João Jayme Araujo, no seu Livro, BAÚ DE RELÍQUAS – A Bola Não para, na pagina 66, descreveu sobre a estada de Ney Silva em Santa Rosa, assim: “Entre 1951 a 1960 veio trabalhar em Santa Rosa, como integrante dos quadros da Policia Civil, cuja Delegacia ficava nos fundos da Prefeitura Municipal, junto à Avenida Rio Branco, um cidadão, muito distinto, jovem que tinha o nome de Ney Silva.
Constava, mas não se sabia ao certo, que jogara no Esportivo de Bento Gonçalves.
Estreou como ponta esquerda no Paladino e revelou-se um dos jogadores mais completos que a cidade já vira.

Foi transferido para Pelotas e lá atuou, na mesma posição, pelo Farroupilha, integrando o time que conseguiu ser vice-campeão estadual, em 1959, formando num ataque dos mais efetivos do futebol gaúcho.
(Fotos abaixo)


Em pé: Germano Wust (Presidente), Vilson Codinotti (Treinador), Neri Silva, Lauro Fenner, Darci Zoehler (Nique), Julio Andrade, Ernani Kotlinsky, Decio Zoehler, Nino Cappellari, Napoleão Silva e Zeferino Soares ( Diretor ). Agachados: Helmuth, Carlinhos, Paulo Terra, Charles Joner, Nolly Joner e Ney Silva.



Abaixo, registro  histórico do saudoso  fotógrafo Plínio Luconi,  que retrata a festa do 3º aniversário do Juventus Atlético Clube em 12 de março de 1954.


“Lembro que naquele mesmo ano de 1954 joguei duas partidas amistosas internacionais no Elite Clube Desportivo da cidade de Santo Ângelo/RS, convidado por seu presidente, um advogado famoso de nome João Augusto Rodrigues, cujos jogos foram realizados nas cidades de Oberá e Possadas, ambas pertencentes a Província de Missiones, Argentina (dentro da programação pelos festejos da Independência daquele país).  (Foto abaixo)


Foto na Argentina com o Elite CD de Santo Ângelo. Abaixo, verso da foto acima escrita por Ney Silva, poucos dias antes de falecer e enviada por ele a nós com o objetivo de ilustrar esta matéria. 

"Após fui contratado pelo E. C. São Luiz de Ijui/RS, depois joguei pelo Cachoeira F. C. da cidade de Cachoeira do Sul/RS, onde fomos campeões citadinos; em 1956 fui contratado pelo Esporte Clube Pelotas, da cidade de Pelotas/RS, indicado pelo colega de função o policial Chico, clube que defendi nos anos de 1956 a 1958, 1960 e em 1964; lembro que no ano de 1958 - ano do cinquentenário de fundação do E. C. Pelotas - fomos tricampeões citadinos (fotos abaixo); tive também a felicidade e a honra de atuar como atleta profissional nos 03(três) clubes daquela cidade, pela ordem: Esporte Clube Pelotas, Grêmio Esportivo Brasil e Grêmio Atlético Farroupilha; em todos disputando os campeonatos da 1.ª Divisão de Profissionais do Estado do Rio Grande do Sul; pelo E. C. Pelotas tive o prazer de marcar cinqüenta e sete gols.” (Fotos abaixo)


E. C. Pelotas - Campeão citadino de Pelotas - 1956 - Nesta foto maravilhosa e inesquecível. Em pé: Galego (Treinador), Ary (Massagista), Joãozinho, Spina, Santa Maria, Brauler, Duartinho, Nascimento, Getulio, Duartão, Mario, Carico (massagista); Agachados: Bedeuzinho, Pacheco, Darcy, Jary, Didi, Gabriel, Deraldo, Ney Silva e os garotinhos (mascotes) "-







Em pé da esquerda para a direita: Santamaria, Pacheco, Jari, Getúlio, Saldanha, Joãozinho e Cascudo:  Agachados: Bedeuzinho, Dirceu, Cléo, NeySilva, e Deraldo.


O E. C. Pelotas nos anos de 1956,   1957 e 1958 tinha um grande time proporcionando à sua valorosa torcida, grandes vitórias, vencia os clássicos contra o Brasil com facilidade e até com goleadas.


“Guardo na minha memória com muito orgulho e honra o fato de ter sido homenageado pela Diretoria do Esporte Clube Pelotas no transcorrer das festividades comemorativas do Centenário de sua fundação, fato esse acontecido em 11/10/2008, tendo como local o Clube Brilhante daquela cidade, ocasião em que fui distinguido com uma placa de Mérito Desportivo.” (Fotos abaixo)



Nas fotos acima orgulhoso mostra a placa recebida na Festa Centenária do EC Pelotas

Participando do ponta-pé inicial em jogo comemorativo ao centenário

A importância de Ney para o Pelotas foi evidenciada na seguinte matéria esportiva da  mídia local: “Esporte: Ney Silva virá para o centenário - A direção do Esporte Clube Pelotas já começa a confirmar os nomes dos atletas que marcaram época no Lobão nos 100 anos (1908 a 2008) e que estarão na festa do Centenário no dia 10 deste mês, no Clube Brilhante. No domingo, em Porto Alegre, o goleador Ney Silva, garantiu ao presidente Luís Aleixo que virá com a faixa de tricampeão citadino do cinquentenário do azul e ouro - 1956, 57 e 58. Além dele, já confirmaram presenças: Flávio Minuano, Ademir Alcântara, Valmir Louruz e Oscar Urruty, entre outros grandes craques de todos os tempos. (Sérgio Cabral)” 
Ney trabalhou com os seguintes treinadores, conforme ele mesmo nos relatou: “Lembro que foram meus técnicos: No Paladino F. C. o Sr. Vilson Codinotti, no E. C. Pelotas: Paulo de Souza Lobo (Galego), o Énio Rodrigues e o ex-jogador do Pelotas o Duarte (Duartão); No G. E. Brasil o Sr (?); no G.A. Farroupilha: Rubens Ruaro (Ruarinho) e Hugo Romeu; sempre atuei nas posições de meia-esquerda e/ou ponta esquerda.
Torcedor do Internacional/POA, sempre acompanhou o futebol através da mídia. Comissário de Polícia, aposentado, nunca pensou em ser treinador ou dirigente esportivo. Sempre dizia ser já abençoado por ter sido  jogador de futebol. Dizia estar sempre na felicidade.
Ney Silva está na lista dos maiores artilheiros do Pelotas, com 57 gols marcados nas décadas dos naos 1950 e 1960. É um dos ídolos do clube, foto abaixo.(http://arquivolobao.blogspot.com.br/p/galeria.html )




Ney deixa um legado de amizade e companheirismo, de quando por aqui passou, e dele sempre teremos belas lembranças. Veja só: poucos dias antes de seu falecimento, conversei, via telefone, sobre sua trajetória desportiva. Enviou-nos, via Sedex, recebido por nós, no dia 24.02.2017, as fotos para o seu Por Onde Anda, mas que não conseguiu vê-lo concluído. Quinze dias antes, escreveu a próprio punho, um bilhete, comunicando o envio das fotos. (Abaixo)



Com imenso pesar o Esporte Clube Pelotas, no seu site, no dia 13 de março de 2017, lançou a seguinte nota; "É com imenso pesar que o Esporte Clube Pelotas lamenta a morte do ex-atleta Ney Silva, que atuou no áureo-cerúleo nos anos 50.
Ney fez história no Pelotas ganhando três campeonatos citadinos.
O Clube presta suas condolências à família de Ney Silva e declara luto oficial por três dias, com bandeira à meio mastro."

Fica, aqui, então, a homenagem dos desportistas, seus amigos, do Paladino FC e da cidade de Santa Rosa, que o acolheu.

G.E. BRASIL - Em pé: Osvaldo Barbosa, Baía, Caçapava, Candiota, Canário e Gióvio: Agachados: Edi, Toquinho, Ênio Souza, Birinha  e Pintinho ou Zé Francisco.

1958 - amistoso entre São Paulo FC e EC Pelotas na Boca do Lobo


 1958 - Local da foto: Estádio Boca do Lobo- do E. C. Pelotas.Zizinho (Mestre Ziza) atleta do São Paulo F.C. e da seleção brasileira e Ney Silva atleta do E.C. Pelotas. 
                 
G.A. FARROUPILHA - Em pé:  "Onete, Edelfo, Luiz Carlos, Setembrino, Noel e Valério (lateral direito que depois jogou no Grêmio). Agachados " Celso, Lelo, Nei Silva, Welliton e Zé Francisco - "  Obs. o texto da legenda foi escrito de próprio punho pelo homenageado NeySilva e cita os nomes de Rubens Ruaro (Ruarinho) e Sgto. Hugo Romeu como sendo os treinadores daquela equipe.

Em 1958, o Pelotas recebeu os argentinos do Gimnasia y Esgrima de La Plata
Vitória do Lobão por 5 a 1

08/10/1958 - Estádio: Boca do Lobo - Pelotas - RS
Pelotas 4x3 Fluminense-RJ (Amistoso)
Time do Pelotas: Oscar Urruty, Cascudo, Getúlio Saldanha, Duarte, Cléo, Jarí, Bedeusinho, Dirceu, Barão, Ney Silva e Deraldo.
Gols: Jair Santana (contra), Ney Silva, Deraldo e Dirceu.
Time do Fluminense: Castilhos, Ivan, Pinheiro, Altair (Paulo), Jair Santana, Clóvis, Paulinho, Léo, Valdo (Jair Francisco), Telê e Mozart (Romeu).
Gols:Léo,Pinheiro(2).
A partida caracterizou-se por dois tempos distintos, na primeira o Pelotas avassalador e construindo assim um placar alarmante de 4x0 com gols de Jair Santana (contra), Nei Silva, Deraldo e Dirceu. Porém no período derradeiro o Fluminense introduziu algumas modificações em sua equipe e reagiu valentemente marcando 3 vezes com Léo e Pinheiro,duas/vezes.
Fonte: site do EC Pelotas

Nas fotos abaixo, encontro de Raul Meneguini, em Porto Alegre, no dia 1º de setembro de 2016, para a elaboração do Por Onde Anda com NeiySilva


Ney Silva e Raul Meneguini


Antonio Ney Silva, com Raul Meneguini e  Antonio Nei da Silva Filho

Nota do blog: Agradecimento especial ao saudoso João Jayme Araujo que nos auxiliou na localização do Ney Silva em Porto Alegre. Os contatos para entrevista foram feitos por Raul Meneguini. Vale mencionar, que tudo isso aconteceu poucos dias antes do falecimento de João Jayme Araujo e Ney Silva, a qual prestamos nossa homenagem.

⟾ Clique nas fotos para melhorar e ampliar sua visualização.

Um comentário:

  1. Foi a coisa mais maravilhosa que eu li sobre o meu Pai. O autor foi de uma felicidade repleta ao escolher com tanto carinho e exatidão as palavras para descrever um pouco de sua carreira futebolística em que ele foi um grande jogador e uma extraordinária pessoa que deixou muitos amigos e fãs por onde vestiu sua camisa e fez aquilo que mais amou até o fim de sua vida: futebol. Hoje faz 6 meses que ele partiu e nos deixou com muitas saudades e muitas lições de como vencer na vida, ser honesto, valores e acima de tudo dar o seu máximo naquilo que for fazer. Deixou um grande legado para seus familiares, amigos e fãs do esporte. Foi realmente emocionante ler estas belas palavras sobre sua trajetória. Muito obrigado por deixar registrado a extraordinária jornada de um grande jogador de futebol, que tenho muito orgulho de ser o Meu Pai.

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