domingo, 14 de agosto de 2011

Pela Região

NÃO HÁ CLÁSSICOS COMO ANTIGAMENTE.


Bate uma nostalgia quando lembramos do futebol de nossa região. Para refrescar a memória dos antigos e conhecimento dos novos, vamos viajar um pouco na história do futebol regional. Havia três disputas ferrenhas de clássicos: em Horizontina, o Nacional Futebol Clube e a Sociedade Esportiva Flamengo(1957), disputavam o clássico FLANAL; em Três de Maio, a rivalidade surgiu em 1961, com a fundação do Botafogo Esporte Clube, que disputava com o Oriental Futebol Clube(1925) um dos mais rivalizados clássicos amadores do interior do estado: o BOTAL; em Santa Rosa, mesmo com mais clubes, a rivalidade era mesmo entre o Paladino Futebol Clube(1946) e o Esporte Clube Aliança(1952), o famoso clássico ALPAL. Guardadas as proporções, não era menos eletrizante quanto aquele disputado na Azenha e Menino Deus, na capital. Os estádios se enchiam nas tardes de domingo. Era uma grande festa.


Clássico é clássico, muita rivalidade, é claro, o coração bate mais forte, por vezes alguns mais exaltados. Às vezes confusões dentro e fora do campo. Era clássico. Fazia parte do contexto. Mas, tudo era dominado. O clássico continuava.





 Durante minha vida, residi por duas oportunidades na cidade de Três de Maio. Pela primeira vez, em 1965, quando fui estudar num colégio religioso. Por influencia dos padres, virei torcedor do alvinegro. No velho estádio, onde na época o Bota mandava seus jogos, tínhamos ingresso grátis. O primeiro Botal que assisti foi na Baixada (Estádio Reinoldo Seltzer). Muita gente assistindo. Para o guri que vinha do interior era o máximo. Tudo era novidade. Final: 1 a 1. Ainda bem. Barberinho marcou para o alvi-verde e Flávio empatou na cobrança de pênalti. No final do ano seguinte (1966), voltei para o interior de Dr. Mauricio Cardoso(na época Horizontina), minha terra natal. Em 1973, retornei a Três de Maio, com o objetivo de fazer um curso técnico profissionalizante. Naquele ano, ocorreu a volta da dupla Botal, após algum tempo licenciados. O estádio do Bota ficava uma quadra em frente do colégio em que eu estava interno. Hoje há um outro estádio, o Estrelão, em outro local. Sempre que podia, assistia os jogos. Economizava alguns trocadinhos para isso. Assisti muitas e maravilhosas vitórias do Bota perante seu rival. Mesmo assim, duas derrotas me marcaram. Era um domingo a tarde e chovia muito. Perdemos no próprio estádio, de virada: 2 a 1. Os adversários saíram em desfile pela cidade numa grande comemoração. Outro foi na Baixada, quando o Botafogo ainda no primeiro tempo perdia por 3 a 0. Foi uma grande confusão. A arbitragem não conteve o jogo, o policiamento entrou no gramado e começou agredir todo mundo. O jogo acabou por aí. Foi o clássico da vergonha.





Botafogo x Oriental - disputavam o tradicional clássico BOTAL em Três de Maio.

Mesmo tendo nascido em Horizontina e como morava 30 quilômetros da sede, nunca assisti a um Flanal. Não era tricolor e nem rubro negro. Apenas escutava alguma coisa pela Rádio Vera Cruz. Mas, não tinha muito interesse, não chamava minha atenção. Num domingo de Flanal, estava na casa de uma tia, o clássico estava sendo transmitindo pelo rádio e ela me perguntou para que eu torcia. Respondi que não tinha preferencia. Mas, lembro de atletas do Flamengo como a dupla de meia cancha Perez e Chaffick(advogado e que chegou a ser meu professor no ginásio), de Jaime e do ponteiro Lu. Do Nacional, o goleiro Décio, do zagueiro Bolinha,embora acima do peso para um atleta jogava muito, da dupla de meiocampistas Freda e Loreno, do ponteiro Alipio e de Sérgio, dos irmãos da família Salvador (os atacantes Alcindo e Odilo), que vinham do interior para os jogos.

Concluído o curso e com profissão, em 1976 mudei para Santa Rosa. Já não havia mais o Alpal. Aliança e Paladino, somados ao Juventus e Sepé Tiarajú, havia formado a ASRE-Associação Santa Rosa de Esportes. Foi o fim dos clássicos na cidade. O Alpal, em especial, se originou após o surgimento do Aliança. Grandes investimentos eram feitos pelos dirigentes, com o objetivo de formar equipes fortes e com isso grandes clássicos no Campeonato Citadino. O campeão disputava o Estadual de Amadores. A saudosa Baixada do Pessegueiro, depois o Carlos Denardin, superlotava com as vibrantes torcidas do tricolor e do colorado. Em tarde de clássico, a turma do tricolor se concentrava já pela manhã na Cidade Baixa, onde estava a sede do Aliança. Os vermelhos se reuniam no centro da cidade. No inicio da tarde, com suas bandeiras, em grupos, rumavam para o estádio. Era uma grande festa.




Flamengo x Nacional - Clássico FLANAL em Horizontina

Mas, por essas coisas do futebol... tudo acabou. Não existem mais clássicos na região. Desapareceram. Flamengo, Nacional, Botafogo, Oriental, Aliança, todos licenciados de suas atividades. Apenas está salvo na memória daqueles que viveram, num passado não tão, talvez já distante, de memoráveis batalhas, no bom sentido, é claro. Memórias que não devem ser apagadas da história. Em Santa Rosa, embora afastado do futebol, o Paladino mantém um patrimônio no centro da cidade, com parte dela para fim social. É presidido atualmente por Irineu Donini. Outro que destacamos, é o Senhor Raul Meneguini, do Aliança, embora o clube esteja extinto, mantém em sua casa um memorial do tricolor. Dois abnegados desportistas, comprometidos com a história do nosso futebol. Há pouco tempo, encontrei com os dois e juntos vieram as lembranças e com nostalgia e romantismo nos relataram os acontecimentos daquela que talvez foi a mais bela época do nosso futebol.






Aliança x Paladino - famoso clássico ALPAL que agitava o futebol nas tardes de domingo

Com estádios próprios, ainda que licenciados, em Três de Maio a dupla Botal mantêm um belo patrimônio, muito bem preservado. De Horizontina, pouco sobrou. Uma pena para o nosso futebol. Não existe mais clássicos como antigamente. Ficaram na saudade (ou nos registros, se é que existem).

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