sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Futebol Amador

FARROUPILHA 50 ANOS
MATEUS MAICÁ: O PEQUENO GIGANTE

O incrível zagueiro de 1,54m de altura que marcou época no Farroupilha

Para os padrões atuais do futebol, não seria nada convencional. Mas, José Mateus Maicá, desafiou os mais céticos no futebol. Dividindo seu tempo, entre a família, o trabalho e o Farroupilha, este pequeno gigante é o símbolo da garra farrapa. Foi atleta, treinador, dirigente e motorista.  Com seus 1,54 metros de altura, atuou como zagueiro, formando a lendária dupla de zaga Mateusinho e Jorjão.
Mateus, dono de uma Kombi azul fazia o transporte dos atletas, e no ano 2000 o Farroupilha adquire uma para o clube.  Como Mateus já tinha a experiência foi convidado a assumir a Kombi nas viagens. Então, se inicia um novo capítulo na história farrapa.  Momentos de perigo nas estradas foram enfrentados, mas também com muito humorismo e muitos fatos para serem contados. Para diminuir custos, Matheus lembra que sempre havia excesso de lotação, geralmente 18 a 20 pessoas, e num certo dia a kombi chegou a transportar 26 pessoas numa só viagem.



A Kombi tinha um serio problema, geralmente faltava freio. Alguns incidentes de percurso aconteceram, mas felizmente nada de grave a não serem avarias no veiculo.  Hoje, em rodas de amigos, as aventuras são contadas, os tais acontecimentos, alguns pitorescos, mas que no final acabam em risadas sem fim.
Entre tantas histórias, Mateus lembra, em meio a risos, os acontecimentos. Conta que  conduzia a Kombi lotada, para um amistoso em Campininha, município de Tuparendi. Lá, pelas tantas, um carro estava transitando a sua frente, e ao se aproximar percebeu que no interior do veículo havia um casal namorando, com o automóvel em movimento. Repentinamente o motorista fez uma manobra brusca para entrar num acesso. Mateus pisou com tudo no freio  afim de evitar a colisão, faltou freio. Mateus jogou a Kombi no acostamento, indo ao mato e voltou para a rodovia.  Quando se pensava que o pior havia passado, deram-se conta que uma das rodas, dianteira, estava ausente. A mesma  saíra rodando pela estrada. Precisando continuar a viagem, pois o compromisso deveria ser atendido, Mateus usou de martelo e  prego, recolocou a roda e no lugar do pino do eixo e  foram para o jogo.
Outro acidente que marcou história foi nas proximidades de Km3, quando  se deslocavam para mais um compromisso.  Um automóvel abriu para acessar para a esquerda, mas inverteu para a direita, fazendo com que os dois veículos se colidissem. Naquele momento, Mateus desceu e avisou para  os ocupantes deixarem o veículo e ir para frente da igreja próxima, pois a lotação máxima era 8 pessoas e eles estavam entre 18. O senhor do automóvel começou a trancar o pé e dizer que a Kombi estava errada. Para blefar Mateus pegou um maço de papéis e disse aqui estão os documentos da Kombi, em dia, mas sem os mostrar, pois os documentos na verdade estavam todos vencidos. Então, disse o seguinte: se você quiser, pode chamar a polícia. O senhor toma  o telefone e liga para a polícia e diz a seguinte frase: aqui é o Sargento de Tal. Mateus suava frio e pediu calma. Num instante, ofereceu que cada um consertava o seu veículo, já que ele queria ir passear e a delegação do farrapo ir para o jogo.  O senhor concordando com a proposta, retornou a ligação aos policiais, cancelando o chamado e ambos se acertaram e rumou cada um para o seu lado.

Mas o que mais marcou sua vida é contada pelas suas próprias palavras: “Eu tinha a minha Kombi azul e o Farroupilha a sua, quando uma estragava,  usava a outra.  Naquele dia eu fui com a minha Kombi, e após a partida em casa, saímos de Reginaldo rumo a Cruzeiro e na frente estavam sentados eu, a Keli minha filha e o Armin. Chegando na descida do Balneário Bellas Águas, comecei a freiar a Kombi, como o freio não pegava direito, fiquei de pé, me afirmei no volante e pisei com tudo, foi ai que arranquei o volante da Kombi e ela se desgovernou, bateu no barranco e capotou três vezes, ficando de perna pro ar. Todo mundo ficou apavorado, saímos da Kombi, ai pensei, fazer o que, analisei a situação, pedi pros guri a desvirar, recoloquei o volante e se bandeamos de volta para casa”. Conta Mateus.

Foto do Farroupilha: Maicá é o último, em pé, à esquerda.

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